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A empresa impressa da comunicação

Cíntia Sandri

Com o objetivo de atrair leitores da classe média urbana e da classe operária, Olival Costa e Pedro Cunha fundaram a Folha da Noite, em 19 de fevereiro de 1921. O projeto foi ampliado em 25 de julho de 1925, surgindo a Folha da Manhã. Em 1931 Octaviano Alves de Almeida, Diógenes de Lemos e Guilherme de Almeida adquiriram a Folha, alterando a razão social e a linha editorial, que passou a defender os produtores rurais paulistas.

José Nabantino Ramos, em 1945, ficou com o controle da empresa, mudando a razão social para a atual. Em 1949, fundou a Folha da Tarde e, finalmente em 1960, reorganizou o título, formando então a Folha de S. Paulo, em que traçou uma linha editorial voltada aos interesses das classes médias do Estado de São Paulo.

Após o jornal passar por uma crise econômica em 1962, Octaviano Frias e Carlos Caldeira Filho, assumiram a direção da empresa. Feito isso, em 1974 a redação começou a ser modificada e a abertura política do regime militar foi o principal investimento dos próximos dez anos.

A greve de 1979, estimulada pela ditadura, paralisou até o mais alto escalão dos jornalistas, que exigiam mais autonomia para redigir seus textos. Porém, a Folha passou a usar uma imprensa alternativa, em que representantes sociais participavam do conselho editorial. Não deixou, assim, de publicar suas páginas, fato que comprovou ainda mais que era realmente movida pelo chamado "capitalismo selvagem".

Porém mostrando-se ao povo como porta-voz da democracia, o diário obteve a confiança da massa. Pelo menos das portas da redação para fora, pois internamente continuava com seu regime autoritário. Para a Folha, a luta pela democracia era apenas uma espécie de fachada para ganhar o povo brasileiro.

Esta foi complementada pelo total apoio dado a campanha das "Diretas Já", a partir de 1984, transmitindo ao povo notícias sobre os comícios e manifestações que ocorriam nos bastidores da campanha. Devido a isso, em 1984, a Folha se tornou o mais importante veículo de comunicação do País. E nessa mesma década a linha ideológica deveria colocar seus efeitos visuais na apresentação do jornal.

Lucros e mais lucros

Ocorre um crescimento de 75% na tiragem média entre 1985 e 1986, resultado de uma lógica empresarial capitalista vinda dos Estados Unidos e da Europa. O projeto tinha como objetivo gerar lucros usando a notícia como mercadoria. 

A Folha foi o primeiro jornal do Brasil a usar o computador na redação, algo que, com certeza, contribuiu para o avanço no mercado. A modernização a produção ficou mais rápida, chegando às mãos dos leitores antes do concorrente. Definitivamente na década de 80, o jornal virou uma empresa na luta para continuar no topo do jornalismo impresso brasileiro, sem deixar de lado o bom senso jornalístico.

Além das "Diretas Já", pode-se destacar a cobertura do fim da ditadura militar, a morte de Tancredo Neves, que não tomou posse deixando a Presidência para José Sarney. Sem esquecer que, durante a ditadura, a Folha sofre grande censura por parte do Governo Federal, incluindo ameaças de ser fechada após uma invasão da polícia na redação.

Destacou-se a interessante cobertura do mandato de Fernando Collor, desde a posse, o choque do plano Collor na vida dos brasileiros e o pedido de impeachment. A Folha de S. Paulo foi o veículo que descobriu e publicou toda a sujeira do governo Collor, intitulando de "Collorgate" numa comparação ao Caso Watergate, ocorrido nos Estados Unidos com o presidente Nixon.

A Folha mostrou sua opinião sem medo, por meio de editoriais que "batiam de frente" com o presidente. Então assume o vice Itamar Franco e coloca em prática o Plano Real. A cada eleição, mostrava a disputa entre os candidatos de direita e o petista Lula, que finalmente venceu as eleições em 2002, iniciando seu mandato em 2003.

É possível perceber a constante participação da Folha no desenvolvimento da imprensa e a influência na história do Brasil. Ao publicar fatos ela se opõe ou apóia, destacando o que dará maior lucro ou prestígio social a ela mesmo. Vale lembrar que notícias e negócios andam de mãos dadas no processo da comunicação.

                                       


criação: lisandro staut