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Um
olhar sobre o mundo
Marcelo Viana
Os nomes Victor e Roberto Civita ecoam com muita força quando se fala da revista
Veja. Pai e filho são responsáveis pela criação e manutenção do veículo de comunicação que alcançou
status mundial. Elaborada numa época pouco favorável para a produção e distribuição de notícias, a revista passou por momentos críticos em sua primeira década. Quando o AI-5 impôs a censura, foram oito anos de repressão, com direito ao recolhimento de duas edições e cortes na verba de publicidade como resposta às críticas feitas ao governo.
A história continuou e a Veja persistiu em sua caminhada da informação. Nunca se viu números tão expressivos na imprensa brasileira. São cinco milhões de leitores e uma tiragem semanal de 1,25 milhão de exemplares por semana. Mais de oito mil correspondências chegam mensalmente
à redação. É a quarta maior revista semanal do mundo, superada apenas pelas
norte-americanas
Time, inspiração para sua criação, Newsweek, U.S. News e
World Report.
Desde sua fundação a revista expôs um Brasil de mudanças singulares. Da ditadura militar e dos discursos de um Brasil
potência até a atualidade. De um País que cresceu muito, mas que ainda carrega as cicatrizes do atraso no desenvolvimento tecnológico.
Fez-se presente nos eventos que marcaram a sociedade, colaborando para que a população tivesse consciência daquilo que acontecia ao seu redor. Deixar o leitor informado da situação e apresentar de forma clara e objetiva as transformações do mundo, parecem ser os objetivos desta mídia impressa que cresce a cada ano. Acompanhou a mudança dos presidentes, o
impeachment de Fernando Collor, guerras em vários países, a morte de várias celebridades.
Com criatividade e qualidade editorial a Veja trouxe ao brasileiro notícias nacionais e internacionais. Tratou de assuntos polêmicos como a violência, drogas, política, corrupção, clonagem, religião e outros. Entrevistou pessoas importantes na esfera global e brasileira. Líderes políticos, sociais e religiosos como o
papa João Paulo II, Yasser Arafat, Fidel Castro, Fernando Henrique Cardoso responderam às perguntas da revista.
Personalidades da música como Tom Jobim, artes, dos esportes e do cinema também se fizeram presentes.
Nota-se uma variedade editorial muito grande. Assuntos como política e sexo são tratados de igual forma merecendo destaques nas capas das edições da revista. Reis, rainhas, princesas assassinadas, presidentes adúlteros, ovelhas clonadas, políticos corruptos, empresários e estudantes de sucesso e até...
ET's fizeram parte do editorial.
Esta característica eclética pode ser positiva, enquanto oferece ao leitor a oportunidade de obter conhecimento nos diversos temas existentes. Porém, muitas vezes, assuntos de interesse secundário são colocados como de interesse público e primário, e valores das classes minoritárias são debatidos por toda a sociedade. Assuntos de real interesse social são deixados de lado ou são mascarados sob o ponto de vista de
outrem.
"Quando Veja nasceu em 1968, o século XX já tinha deixado uma marca profunda na
história... Parecia difícil superar acontecimentos desta envergadura, mas o carrossel planetário continuou a girar com a mesma intensidade. Desde setembro de 1968,
Veja, incorporada ao movimento, procurou descrevê-lo e interpretá-lo para seus leitores".
Duas evidências importantes podem ser tiradas desta citação da edição especial de 30 anos. Em primeiro lugar, existe a criação de um veículo de comunicação comprometido em acompanhar a história do
País e do mundo. Em segundo lugar, encontra-se uma revista que interpreta os fatos para o leitor e descobre muitas vezes a opinião dos articuladores e não somente a informação em si.
Esta segunda característica não desmerece a revista. Pois é aceitável que parte da visão dos jornalistas e editores responsáveis pelo conteúdo informado ao leitor, seja impressa nas páginas publicadas. Torna-se necessário um
feedback crítico por parte do leitor, que munido de um background de informações poderá compreender que não está lendo o fato em si, mas um conteúdo exposto sob os olhos editoriais de uma pequena parcela da sociedade.
Roberto Civita, presidente da Editora Abril e editor da Veja, declara que "é uma satisfação informar os leitores corretamente, contar-lhes a verdade e opinar -
sempre - com coragem e independência".
Desde seu nascimento tem sido lida por milhões de brasileiros. Muitos a utilizaram como modelo editorial e informativo. Sob suas pegadas outras mídias impressas foram elaboradas. Num
País onde uma grande parcela da população ainda está alienada por falta de educação e leitura, a
Veja é uma opção que agrada gregos e troianos.


criação: lisandro staut |
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