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Investigação histórica

Mani Maria

Na manhã do dia 19 de outubro de 1990, o jornalista Bob Fernandes entrega a matéria sobre um dos homens que mudaram a história política do Brasil. Paulo César Farias, mais conhecido como PC Farias, era o homem que mandava na agenda do presidente Fernando Collor de Mello.

Esta seria a capa do primeiro meio de comunicação a fazer uma reportagem longa a respeito do político. A revista IstoÉ noticiara todos os escândalos da administração federal daquele ano. No fim da semana em que IstoÉ colocou PC na capa, o político foi tirado das sombras e se tornou um personagem da grande imprensa.

A postura de Domingos Alzugaray, um dos donos da revista, era que a IstoÉ fosse crítica quando fosse necessário. Segundo Mário Sérgio Conti, em seu livro Notícias do Planalto, Alzugaray tinha um resumo de sua filosofia na ponta da língua, que usava com os jornalistas da IstoÉ - para conclamá-los a evitar erros: a IstoÉ quando adula só irrita. 

As revistas semanais brasileiras de maior circulação e de grande influência têm perfil editorial variado. Na realidade, no mundo inteiro é assim. Em pouco mais de cem páginas coloridas e bem chamativas, conta-se tudo o que aconteceu durante a semana. Um assunto que em sete dias pode decidir o futuro de uma nação inteira.

Desde março de 1977, quando passou a periodicidade semanal, a revista IstoÉ faz parte da "nata" dessa linha editorial, desempenhando um papel importante nesse cenário. Na época de sua fundação, a publicação ainda sofria com a censura militar, mas a parceria entre Domingos Alzugaray e Mino Carta superou todas as conjunturas não propícias para o sucesso da revista.

No início dos anos 80, a revista passou a se chamar Senhor, visto que a Editora Três havia adquirido o título Senhor Vogue. Mas a substituição do nome não impediu seu sucesso. Anos mais tarde, a atenção da revista era total nas eleições e no governo de Orestes Quércia, em São Paulo.

Com olhos otimistas e uma "mãozinha" de Quércia, Domingos Alzugaray recomprou a IstoÉ e começou a construção da sede da editora na Via Anhanguera. A obra custou 20 milhões de dólares, sendo que metade desse valor foi paga com as receitas da própria editora; a outra parte com parcerias e publicidade.

Denúncia como princípio

Desde seu nascimento, a revista investiu na linha política. No auge do governo Collor, a revista Veja, sua maior concorrente, publicou uma entrevista com Pedro Collor. Algum tempo depois a IstoÉ publicou uma entrevista com Eriberto França, motorista da secretária de Fernando Collor. Em sua entrevista, ele confirmou que depósitos eram feitos pelas empresas de PC Farias nas contas movimentadas pela secretária. O que iniciou o processo do impeachment do presidente foi esta entrevista publicada.

Outro episódio que retrata bem a influência do periódico na história política do País foi a abordagem generosa na campanha de Luiz Antônio Fleury para governador de São Paulo. Mário Sérgio Conti conta que quando o candidato estava em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, ainda atrás de Mário Covas e Paulo Maluf, puseram-no na capa da revista. Ela foi mostrada dezenas de vezes no horário eleitoral gratuito do PMDB. Fleury que era até então desconhecido dos eleitores, ultrapassou Covas, foi para o segundo turno e venceu Paulo Maluf. 

Talvez, o caso de denúncia mais importante da revista tenha sido em 2001. Antônio Carlos Magalhães nunca renunciaria ao senado se não tivesse sido publicada a matéria pela IstoÉ. As reportagens da revista desvendaram o conteúdo das fitas em que ACM admitiu a alguns procuradores da república ter modificado o painel de votação quando era presidente do Senado. As denúncias publicadas pela IstoÉ forçaram ACM a renunciar seu cargo. As reportagens ganharam prêmios de jornalismo.

Estes e outras reportagens de repercussão nacional, além de demonstram o perfil investigativo da revista, colocaram a IstoÉ entre as dez revistas de informação do mundo com importância fundamental na história do Brasil e do jornalismo nacional.

                    



criação: lisandro staut