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George W. Bush é o presidente de um país onde 90% da população acredita em Deus, 80% acredita em milagres e 66% na existência do diabo. Com estes dados, fica fácil supor porque o presidente usa Deus como "aliado" nesta guerra. A mais recente edição da
Newsweek (10/3/03) tem como reportagem de capa Bush e Deus. A capa da revista estampa uma foto de Bush com um microfone e ao fundo uma cruz, como se estivesse pregando em uma igreja.Nesta reportagem, a revista Newsweek induz seus leitores a ver o presidente Bush como um homem que antes estava longe de Deus, mas hoje pratica a religiosidade, que dá pouca atenção para o abstrato e muita atenção para as pessoas. Isto fica claro com uma citação do secretário do Comércio, Don Evans: "A crença lhe dá algo mais que confiança. Ela desperta nele um desejo de servir aos outros e um juízo bem claro do que é Bem e o que é Mal". A revista mostra sua parcialidade em todo o texto. Howard Fineman, autor da reportagem, afirma que "todo presidente é às vezes o pastor no púlpito dominador. Mas foi preciso uma guerra - e a perspectiva de outras - para iluminar um fato crucial: este presidente, esta Presidência, é a mais decididamente baseada na fé na história moderna americana, um empreendimento fundado, apoiado e guiado pela confiança no poder temporal e espiritual de Deus". George Bush quer derrubar Saddam e afirma ter apoio de Deus. É correto mostrar as características do presidente, mas é incorreto utilizá-las como um meio de persuasão para sugerir que a guerra é a melhor solução, ou ainda pior, que o presidente dos Estados Unidos tem o apoio de Deus para fazer o que ele acha correto. A revista se utiliza deste argumento para encobrir os interesses políticos reais desta guerra. Objetivos evidentes À medida que o texto de Fineman se desenrola, seus objetivos se tornam evidentes: "Bush achou no estudo da Bíblia um equivalente de disciplina mental e espiritual..."; "Como um candidato, Bush buscou e seguiu conselhos de pastores, especialmente líderes de novas 'mega-igrejas' não-denominacionais nos subúrbios. Suas idéias para governar eram de acordo com sua fé."; "Bush falava de sua fé e as pessoas simplesmente acreditavam nele."; etc. Com estas declarações, Fineman sugere que o objetivo de George Bush seria reformar o mundo e não de obter o petróleo ou a indústria bélica. Mas se analisarmos a história da família Bush, poderíamos pôr em dúvida a veracidade desta sugestão. Estaria agora o Estado usando a Igreja como pretexto para seus interesses políticos e a mídia para divulgar esta idéia enquanto nos bastidores segue outros caminhos? Roberto de Toledo, em ensaio para a revista Veja (12/3/03), faz uma analogia interessante: "Eis o ponto a que chegamos, 200 anos depois do triunfo das luzes e da afirmação da idéia da separação entre Igreja e Estado: a maior das potências embrenha-se por uma senda onde política é religião, e religião é política. Osama Bin Laden não acha outra coisa". A realidade desta analogia está na parte em que tanto Bush como Saddam/Osama utilizam a religião e a mídia para propagar seus objetivos políticos. Eles dominam a mídia e a mídia aliena o povo. Portanto, o título e a linha do artigo que Newsweek deveria seguir seria: Bush. Deus.
criação: lisandro staut |
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