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InfEstado pela guerra
Daniel Liidtke
Parcialidade. Esta é uma palavra quase impossível de se excluir das páginas de
O Estado de S. Paulo, principalmente em tempos de guerra. Direitista, este jornal apóia quase que cegamente o posicionamento do governo norte-americano. Na Guerra do Golfo, notou-se esta tendência claramente. Na verdade, só bem depois, quando o véu que encobriu os fatos pôde ser retirado.
Primeiramente, faz-se necessário salientar a qualidade do Estadão. Não é por acaso que está entre os dois maiores diários do País. Contudo, algumas falhas do passado precisam ser relembradas. Falhas que ainda hoje se refletem na visão distorcida que muitos leitores apresentam dos Estados Unidos e Iraque: O lado bom e o lado mau, respectiva e absolutamente. Lapsos que devem ser apontados para não serem repetidos.
A capa do Estadão da quinta, 17 de janeiro de 1991 (veja foto), trouxe a explicação de Bush (pai) para a operação militar no Golfo:
"Destruir a capacidade nuclear do Iraque, neutralizar a capacidade de armas químicas e libertar o Kuwait".
Que bonito! Como os americanos são humanos! A Guerra do Golfo teve um objetivo realmente maternal! Isso é o que jornais como
O Estado de S. Paulo passaram para a população. A "chacina interesseira" foi substituída por termos como "operação militar", por exemplo. Palavras diferentes para uma ação comum: exploração.
Por que não se mostrou o ávido interesse dos Estados Unidos em vender suas armas que
ficaram estocadas após o fim da Guerra Fria ou a gula por petróleo? Por que sempre mostram os americanos como protetores da paz mundial?
Infelizmente, isso ainda acontece. Há pouco, em 17 de março de 2003, o Estadão noticiou: "Bush, Blair e Aznar disseram que contam com o apoio da ONU para a reconstrução do Iraque e instalação de um governo democrático no país". Reconstrução?! Democracia?! Onde?
Censura
A Guerra do Golfo de 1991 foi umas das piores do mundo. Não em número de mortos. Não em toneladas de bombas. Em censura - sinônimo de controle de pensamento. Malcolm Browne, repórter do
The New York Times, afirmou que a cobertura jornalística no Golfo transformou os quase 1.500 repórteres que estavam lá "basicamente em empregados não-remunerados do Departamento de Defesa". E foi assim que o
Estadão, não diferente da maioria dos jornais, transmitiu o confronto.
No campo de batalha o número de jornalistas era limitado. Eles eram escoltados pelos oficiais americanos ou aliados, dos quais recebiam as ordens do que podia e não podia ser mostrado. Sem opção, os jornalistas eram obrigados a acatar os "palpites" de seus "vigias".
Conseqüentemente, uma visão americanizada foi transmitida para o mundo inteiro. Os Estados Unidos esconderam a verdade de sua própria imprensa, quanto mais da brasileira.
O Estado de S. Paulo não ficou de fora. A epidemia alastrou-se por todos os cantos. Na guerra, o diário foi infestado pelo branco e vermelho dos americanos. O vermelho se escondeu no branco. O sangue se camuflou de paz.
E hoje? Como o Estadão trata do segundo episódio da Guerra do Golfo? Se você não estiver
infEstado poderá tirar suas próprias conclusões.

criação: lisandro staut |
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