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Do past-up ao Hermes

Leandro Oliveira

Com o advento da informática, a diagramação tem tido grandes avanços e facilitado a vida de muitos. Mas isso realmente faz pouco tempo. Há alguns anos, quando se falava em diagramação, era um tédio. Imagine um jornal diário de grande circulação, como Folha de S. Paulo, O Globo, Correio Braziliense, O Estado do Paraná e outros sendo diagramados no arcaico past-up. Era difícil diagramar um jornal diário.

Vários fatores foram decisivos para que o planejamento gráfico tenha mudado: o aumento da informação, a concorrência, a informática e, principalmente, a necessidade de agilidade. Quando Gutenberg iniciou na profissão, o volume de fechamento de um jornal era irrisório se comparado ao fechamento do jornal de hoje, com seus vários cadernos em uma edição de 300 mil exemplares.

Outro detalhe para as mudanças da diagramação é a concorrência e a necessidade de agilidade. Com o surgimento do rádio, televisão e, mais recentemente, da internet, o jornal foi condenado a morrer. Isso não aconteceu, mas trouxe mudanças em todos os passos da composição do jornal. Sendo ágil, conseguiria atingir um número maior de pessoas e se manter na concorrência.

A arte da diagramação na capa ou no interior do jornal pode ser julgada como um luxo, gasto a mais ou simplesmente mais um detalhe. Mas os que deixaram o conservadorismo de lado, como o Correio Braziliense e o Jornal do Brasil, comprovam que não é bem assim. As modificações foram bem repercutidas e até mesmo adotadas por outros veículos.

Novos softwares

A informática, atualmente, é fundamental para que o jornal mantenha e aumente sua qualidade, seja ágil e tenha controle sobre o volume de informação a ter que passar ao leitor. O surgimento de softwares como PageMaker, Quark-X Press e o mais inovador e recente de todos, o Hermes, faz com que a diagramação se torne precisa e rápida. A paginação em alguns veículos não demora mais do que duas ou três horas, o que seria um feito impossível há alguns anos.

Os novos jornalistas que entram para a área de impresso têm hoje facilidades almejadas pelos antigos, mas pouco dos que são lançados pelas faculdades no mercado de trabalho estão preparados para enfrentar está realidade. Ruben Holdorf, professor de Planejamento Gráfico do Unasp, afirma que um dos principais problemas das escolas é em equipamentos inadequados. "Destaco o não-investimento em softwares e computadores. A maioria dos programas é muito precária e os professores desabilitados para a matéria", comenta.

Holdorf também não deixa de ressaltar o pouco interesse dos alunos pela área. "Muitos alunos julgam desnecessário saber diagramar. Mas com os avanços tecnológicos, o repórter entrega a matéria com o número exato de toques para um espelho pré-diagramado", afirma. O repórter, quando recebe a pauta para a matéria, também recebe o número de toques e a configuração a ser usada no texto. "Depois é só revisar e jogar o texto na tela", completa Holdorf.

As novas tendências no planejamento gráfico dos jornais brasileiros são uma incógnita. Ressalta-se ainda a influência de estilos adotados de jornais de outros países. Realmente, o planejamento gráfico está entrando em uma nova fase.

                                       


criação: lisandro staut