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A lei da visualização

Ketielly Bahia

Capturar a atenção das pessoas é uma luta que os meios de comunicação enfrentam constantemente. O público exigente quer inovação, por isso a mídia investe em artifícios, imagens e temas-chave que precisam despertar sensações e emoções em seus espectadores.

Na década de 60, a televisão veio para despertar um novo modelo de comunicação de massa e acabou influenciando outros meios na valorização da imagem. A mídia impressa não ficou para trás; os jornais e revistas também aceitaram a nova idéia, ampliando o espaço da imagem dentro do veículo. Aos poucos, uma nova lei foi se fundamentando e se impondo: a lei da visualização.

A imagem veio como um diferencial para a mídia e acabou se tornando a base. É valorizada porque emociona, seduz e atrai. Se não fosse assim não teria efeito, não atrairia o público. O público adotou a idéia de que uma imagem vale mais que mil palavras, por isso dá tanto valor a imagem. Se for de valor para o público, conseqüentemente também é para a mídia. Mas para a imagem alcançar esse espaço, alguém teve que abrir mão dele, e foi o texto quem sofreu essa conseqüência.

Antes, principalmente na mídia impressa, o texto era o dono de praticamente todo o espaço, quase não havia com quem disputar. Agora a imagem se tornou tão importante que passou a determinar quais serão os temas de debate público. “São as imagens que determinam quais serão os temas do debate público” afirma Eugênio Bucci. Se a mídia possui uma imagem chocante de algo que tenha ocorrido, certamente ela terá vantagens sobre as demais.

O resultado da predominância da imagem é a falta de uma reflexão profunda por parte do público. O jornalismo também peca neste aspecto, pois não oferece mais ao público uma visão crítica dos fatos. Debates e expressão de opinião são raros, e os repórteres e redatores procuram escrever textos mais leves; um verdadeiro empobrecimento da informação.

É por isso que a capacidade das pessoas de ler e interpretar textos longos e que necessitam de atenção se reduziu. A mídia traz a informação de uma forma que as pessoas não precisam pensar muito para saber do que se trata.

Na televisão a imagem é predominante porque é ela quem faz a TV. Já a mídia impressa foi pressionada pela nova tendência. As revistas são ótimos exemplos da predominância da imagem sobre o texto. 

O jornalista Vanderlei Dorneles, autor da pesquisa, percebeu que a revista Veja, por exemplo, em 2001 destinava cerca de 48,5% do espaço diagramado para imagens, o texto ocupava o segundo espaço com cerca de 30,5% e a categoria dados aproximadamente 21% (dados que também vem sobre forma de imagens). 

A situação não mudou muito de lá pra cá. Hoje a imagem ocupa no mínimo 50% do espaço da revista.

Segundo Dorneles, essas três categorias, texto, imagens e dados, são as mais encontradas na mídia impressa. Revistas semanais de grande porte como Veja, IstoÉ e Época destinam a grande parte de suas páginas ao consumo e diversão; temas onde há uma enorme predominância de imagens.

Para muitos, as imagens são eficientes porque informam em pouco tempo; o máximo de texto que muitas pessoas lêem são as legendas. As imagens também, de uma forma ou de outra, acabam dando um certo brilho ilustrativo ao texto.

É muito mais interessante ler sobre determinado assunto, coisa ou pessoas vendo as imagens, principalmente quando são desconhecidos, do que não ter nem idéia de como sejam. O fato é que houve uma mudança de estrutura, uma mudança do texto para a imagem, do pensamento para o entretenimento e da reflexão para a emoção.

                                       


criação: lisandro staut