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O circo está armado
Marden Eduardo Ferreira
Muito se discute sobre a linguagem que deve ser utilizada na televisão, rádio, jornais ou em qualquer tipo de mídia. Apesar disso, a opção é que sempre se tenha termos e vocabulário simples para que a maioria das pessoas possa entender o que está sendo apresentado. Porém, o que se vê hoje é um grande descuido, e em alguns casos, até desleixo por parte de alguns programas que são veiculados.
Atualmente percebe-se uma epidemia de programas "popularescos", que fazem da realidade humana um circo aos olhos de todos. Esse tipo de programa não está preocupado com nada mais que isso, muito menos com a língua portuguesa. Os apresentadores falam o que bem entendem; da mesma forma os programas de rádio e textos que são redigidos.
Quando perguntados sobre o descuido com a língua portuguesa e a utilização de palavras chulas, a maioria dos responsáveis por tal barbárie responde duas coisas: é isso que o povo quer; ou então respondem sem hesitação que, se não for assim, ninguém entende.
Essas pessoas têm razão quando dizem que não serão entendidas se utilizarem palavras excessivamente rebuscadas. Infelizmente, a maioria dos brasileiros possui pouco conhecimento acadêmico, sem falar no analfabetismo. Esse é um problema bem mais grave envolvendo o sistema educacional brasileiro. A desigualdade, educação fraca na maioria das escolas públicas e aquelas coisas todas que já estamos acostumados a ver neste País. Existem até os que defendem que se a educação fosse o nosso forte, isso se refletiria naturalmente na mídia.
O grande ponto a ser discutido é o fato de a mídia estar "afundando" ainda mais o nível das pessoas, ao invés de tentar elevá-lo. As pessoas são tratadas como ignorantes completos e isso nem sempre é responsabilidade somente dos "chulos". Percebemos erros gritantes em qualquer campo da mídia, e até mesmo em jornais escapam erros que fazem cair o queixo daqueles que ainda percebem tais coisas.
O que poderia ajudar neste aspecto, se a idéia da mídia ainda é a intenção de ser um serviço público, é a tentativa, talvez utópica, de elevar o nível do que está sendo apresentado à nossa sociedade. Isso não precisa ser feito com uso de palavras difíceis ou frases complexas, mas talvez se não houvesse mais erros no tocante à língua portuguesa, já seria um grande avanço. Se houvesse uma proibição do chulo e do desrespeitoso, em qualquer tipo de mídia, teríamos o início de uma mudança de uma grandeza - que, até para imaginar, fica difícil.

criação: lisandro staut
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