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Investigação popularizada

Isadora Schmitt

Revistas de perfil investigativo são raridade no Brasil. Também não é para menos. A maioria dos impressos desta categoria já esteve ou está com o rabo preso. O semanário IstoÉ - carro chefe da Editora Três - é um dos poucos veículos que apresentou uma proposta diferente. Criada em 1976 por Domingo Alzugaray, a revista surgiu com o objetivo de receber o jornalista Mino Carta e outros profissionais. 

Por ter sido fundada numa época em que a ditadura já mostrava sinais de enfraquecimento, a revista desde o início apresentou um projeto editorial de cunho político. Muitas informações e interpretações puderam ser exploradas, pois o Brasil caminhava rapidamente para um processo de democratização.

Devido a problemas financeiros, a IstoÉ foi vendida em 1981. Criou-se então a revista Senhor, que semelhante à antecedente, também abordava assuntos sobre política e economia. Sete anos mais tarde a revista voltou a editora com outro nome: IstoÉ Senhor. Mas somente no início dos anos 90 o impresso recuperou a sua marca atual.

IstoÉ é hoje o terceiro impresso semanal mais vendido do Brasil. Caracterizada pelo furo e por denúncias geralmente relacionados ao campo da política, a revista conquistou um público extremamente fiel ao longo dos anos. Louvada pelos prêmios que ganhou durante este tempo, o veículo é referência no mundo inteiro pelo seu jornalismo investigativo.

Em 25/5/92, no auge no governo Collor, a concorrente Veja publicou uma entrevista com o irmão do presidente. Pedro denunciou o esquema de corrupção do Esquema PC e as irregularidades financeiras que eram organizadas por ele. No dia seguinte, o Congresso Nacional instalou uma CPI.

Dentro deste contexto, IstoÉ publicou um tempo depois, uma entrevista com Eriberto França, o motorista da secretária de Fernando Collor. Ele confirmou à revista que depósitos eram feitos pelas empresas de PC Farias nas contas movimentadas pela patroa. O processo que levou ao impeachment do presidente foi deflagrado pelo periódico.

Coronelismo e corrupção

Talvez o mais importante caso de denúncia da revista tenha sido em 2001. Se não fosse a matéria publicada por IstoÉ, ACM nunca teria renunciado ao senado. A série de reportagens feita por vários jornalistas da revista, revelou o conteúdo das fitas nas quais o coronel admitiu a alguns procuradores da república ter violado o painel de votação quando ainda era presidente do Senado. 

As denúncias feitas por IstoÉ, obrigaram ACM e o senador José Roberto Arruda a renunciarem a seus cargos como políticos. As reportagens ganharam prêmios, inclusive o Esso de jornalismo.

Neste ano, o periódico também mexeu com o brio do coronel. O repórter Luiz Cláudio Cunha quebrou o sigilo do off e tornou públicas as declarações de ACM, que confessou ter feito vários grampos na Bahia. A ética do jornalista entrou em debate inquestionável, mas a revista mais uma vez cumpriu seu papel investigativo.

A edição de 15 de janeiro publicou uma matéria a respeito do envio de 33 milhões e 400 mil dólares à Suíça. A reportagem denuncia as irregularidades que Rodrigo Silveirinha Corrêa, entre outros funcionários do alto escalão da Secretaria de Fazenda do Rio, cometeu nos seus cargos de confiança do governo, denunciando a quantia de dinheiro desviada para contas no exterior. 

Em 5 de fevereiro, a revista deu continuidade ao assunto. A matéria de capa aborda um relatório da polícia federal que denuncia o desvio de dinheiro por parte de políticos, traficantes e contrabandistas. Mais de 30 bilhões foram roubados do País em mais ou menos três anos. A reportagem apresenta um caráter extremamente investigativo, pois desvenda o esquema de corrupção ocorrido nas movimentações financeiras.

Também em 2003, a IstoÉ denunciou quadrilhas que dominam o poder público de Rondônia. A matéria foi digna de aplauso dos leitores e da mídia em geral. 

Porém, apesar da excelência em apuração de fraudes, a revista se popularizou ao longo dos anos. Por causa da crise e da concorrência do mercado editorial, muitas matérias de baixa qualidade, visando principalmente a sexualidade, são publicadas.

IstoÉ Gente, uma nova publicação da Editora Três, pouco diverge da popular Caras, da Editora Abril. IstoÉ Dinheiro, apesar da qualidade, nada mais foi do que uma estratégia do grupo para aumentar o número de compradores. Sendo assim, apesar da qualidade das informações, IstoÉ não pode ser considerada totalmente independente, como diz o seu slogan.

                  


criação: lisandro staut