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Investigação sob censura
Katianne Jouguet
O período da ditadura militar no Brasil (1964-1985) não somente afetou o quadro político, econômico e social do País, mas também a imprensa nacional. Os meios de comunicação começaram a ser fortemente pressionados pelo governo, que decidiu acabar com a liberdade de expressão. Tornou-se arriscado denunciar as falcatruas do regime militar.
E isso era só o princípio das dores. A criação do Ato Institucional n.°5 (AI-5) foi a gota d'água para a vigência da censura aos principais jornais e revistas da época. O jornalismo investigativo foi o mais atingido.
Ao emitir notícias de interesse público, denunciando abertamente as más condutas do governo e de outras instituições, o jornalismo investigativo sofreu grande repressão. Na época ditatorial, notícias deste cunho comprometiam a popularidade do poder político. Para tanto, os militares proibiam a emissão de tais.
Os jornalistas que persistissem eram ameaçados de morte ou eliminados. Os
jornais, por sua vez, substituíam as matérias censuradas por receitas
culinárias - caso do Jornal da Tarde (veja foto) - ou por fotos de
demônios - como na revista Veja.
Comumente, vários impressos eram fiéis aos ditames do regime. Existiam até aqueles que empregavam militares para trabalharem como jornalistas nas redações. Raras exceções não se submetiam a tal afronta à ética jornalística. Inevitavelmente, essa minoria era censurada.
Não havia como denunciar sob censura. No entanto, o jornalismo investigativo conseguia essa façanha. O regime militar incentivava a modernização da imprensa e a profissionalização dos jornalistas. Os profissionais que não podiam atuar na editoria política migravam para a editoria econômica. Nesta, o governo militar era denunciado e criticado abertamente.
Na década de 70, o jornalismo investigativo atinge o seu auge. Suas denúncias contribuíram para o fim da ditadura e o início da democracia. Hoje, o então jornalismo investigativo é chamado de denuncismo. Os jornalistas desde campo continuam monitorando o desempenho das instituições democráticas. A publicação de notícias sobre más condutas do governo e instituições provoca investigações jurídicas.
Todavia, o atual jornalismo investigativo tem sido alvo de críticas por parte da população. Os jornalistas, famintos por notícias, acabam aceitando suborno ou apelando para o sensacionalismo. A ética é questionada.
O jornalismo investigativo sério ainda existe, mas são poucos os veículos de mídia que querem sustentá-lo. A investigação e a apuração de dados é demorada. O jornalista corre riscos constantemente e sofre ameaças de morte.
Porém, o que deve estar em jogo é a credibilidade do veículo. A censura é atuante, apesar de não se mostrar visível como no período militar. Rotineiramente, o Judiciário censura previamente matérias de revistas e jornais que podem comprometer a reputação de empresas ou órgãos públicos.
Cabe aos mass media divulgarem informações de interesse público e de fatos investigativos, sem temer interdições jurídicas. A imagem de um veículo só é valorizada quando a verdade é esclarecida. O jornalismo investigativo, portanto, deve ir de encontro com a ética. Sua importância (credibilidade) social precisa ser mantida.


criação: lisandro staut |
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