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Denúncias, um dever de
todos
Ana Paula Gomes
A imprensa exerce um poder magnífico frente à sociedade, podendo ser comparada a um polvo, pela grande cabeça e os seus vários tentáculos. A cabeça funciona como base para elaborar meios e informar fatos de interesse público. Os tentáculos são os caminhos para divulgação dessas notícias. Um desses tentáculos é o livro-reportagem, que surgiu nos Estados Unidos e Europa no início dos anos 40.
O livro-reportagem tem maneiras diferenciadas de ser escrito, possuindo uma variedade que abrange desde a biografia, depoimento, retrato, teorias científicas do jornalismo e histórias. Contudo, todos os gêneros tendem a seguir o mesmo parâmetro.
Para isso, o autor busca uma aproximação maior com o leitor por meio da linguagem. Esta é proposta de forma qualitativa e de fácil leitura voltada para a literatura, sendo este o diferencial comparando com reportagens cotidianas.
O Brasil possui um número significativo desse gênero, principalmente no estilo investigativo.
Esta ramificação atinge com rapidez e perspicácia o seu alvo, assim como o polvo marinho ao atacar sua presa, pois usa como isca denunciar fatos dentro do contexto social. No entanto, até chegar
a essa etapa, o jornalista passa por uma coleta extensa de dados.
O conteúdo do livro-reportagem, em sua maioria, é de âmbito investigativo e possui também uma variedade extensa de autores. Dentre eles se encontram alguns mais polêmicos como
Rota 66 - A História da Polícia que Mata, de Caco Barcelos, (Globo, 2003);
Notícias do Planalto - A Imprensa e Fernando Collor, de Mario Sergio Conti, (Cia das Letras, 1999);
Chatô - O Rei do Brasil, Corações Sujos e A Ilha,
de Fernando Morais (Cia das Letras, 1996, 2000, 2001, respectivamente); Crack, o Caminho das
Pedras, de Marco Uchôa, (Ática, 1997); Memórias de um Repórter, de Edmar Morel (Record, 1999);
Vidas do Carandiru, de Humberto Rodrigues, (Geração, 2002), entre outras.
Dentro desse aspecto investigativo, Notícias do Planalto é um dos mais completo. Desperta o interesse dos leitores, pois aborda fatos ligados a primeira eleição direta, fraudes dos políticos e os deslizes cometidos pela imprensa brasileira. O autor precisou somente juntar as provas e trabalhar a linguagem de forma singular, passando a limpo toda a sujeira que pesava sobre o Brasil.
Outro livro interessante,
Crack, o Caminho das Pedras, do jornalista Marco Uchôa (confira a
entrevista), ganhou o prêmio Jabuti por delatar, passo a passo, o percurso usado pelos traficantes na distribuição do craque no Brasil.
Mas o livro-reportagem não se resume apenas em acusar e provar falhas cometidas por políticos e criminosos. Ele também coloca em pauta fraudes cometidas pela imprensa. É o caso do livro
Sobre Ética e Imprensa, de Eugênio Bucci. Nele, o autor faz um rascunho visível dos problemas que assolam o jornalismo, por causa do monopólio desenfreado dos veículos de comunicação. Isso ocorre pela audiência, símbolo de lucratividade que recobre a verdade e ignora a ética, peça fundamental no exercício dessa profissão.

criação: lisandro staut
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