editorial | debate | imprensa | mídia
 cultura | perfil | nostalgia | opinião
  cotidiano | leitor | e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições
| inicial

Pecado perdoado

Dina Karla Miranda

Por ser de natureza evangélica, o conteúdo da revista Eclésia raramente reserva surpresas quanto ao tema "Jesus". Desde sua criação, em dezembro de 1999, a revista deu capa duas vezes à divindade.

Na edição de fevereiro de 2002, o periódico abordou o tema, com a chamada "Homem ou Deus?". O texto mostrou pesquisas sobre o Jesus Histórico, traçando o seu perfil.

A Eclésia entrevistou o pastor Júlio Paulo Tavares Zabatiero, doutor em Teologia, que acredita que compreender melhor a vida de Jesus é fundamental para praticar o cristianismo. Segundo ele, "reconstituir o Jesus histórico não é uma tarefa fácil". As principais fontes que dispõem os pesquisadores são os próprios evangelhos, mas esses documentos são mais teológicos que históricos. 

Porém, para Zabatiero, não há nenhuma preocupação com o dia-a-dia de Jesus, a não ser no que diz respeito a sua missão e ministério. Ele também afirma que não é possível reescrever a vida de Deus, pois isso não é essencial para a vida.

A revista apresenta algumas questões que têm provocado disputas entre católicos e protestantes, como a virgindade de Maria, mãe de Jesus. Baseados em evangelhos apócrifos (não-canonizados), alguns acreditam que a mãe de Jesus permaneceu virgem, mesmo após o nascimento de Jesus. Os irmãos e irmãs que a Bíblia cita seriam apenas filhos de José.

A Eclésia argumenta que "a proposta de Jesus era ampla, passando pela transformação do homem e das próprias estruturas sociais". Enquanto alguns se separavam do mundo buscando a purificação, Jesus queria transformar a sociedade, trazendo-lhe uma salvação diferente da esperada.

Psicologia

Este ano, na edição de fevereiro, a Eclésia deu novamente capa a Jesus. Desta vez, a chamada "A mente de Cristo" conduzia a uma entrevista com o psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Jorge Cury. Ele discorreu sobre a vida e a personalidade do homem de Nazaré, com destaque para os atributos psicológicos.

Segundo Cury, Jesus era coerente, gentil, simples, poético, feliz, simples, dócil e muito inteligente. Para o psicólogo, Suas características mais marcantes foram a humanidade e bondade.

Autor de uma teoria revolucionária sobre a construção de pensamentos, Cury sempre foi ateu. Estudante da mente de grandes personagens históricos, decidiu estudar a psicologia de Cristo. Com o decorrer das pesquisas, tornou-se cristão. O estudo resultou na publicação de cinco livros (
leia a resenha).

Em suma, o conteúdo da revista Eclésia mistura-se com o jornalismo imparcial e o evangelismo infiltrado. Mas, como já foi dito, sua natureza é declaradamente evangélica. Assim, o pecado da parcialidade está perdoado.

                    



criação: lisandro staut