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Espaço
aberto para críticas
Victor Drummond
O ombudsman cumpre importante papel social dentro de um veículo de comunicação. Apontando falhas, acaba trazendo melhorias rumo à excelência profissional. Na Europa, há jornais que são referência pela qualidade do
ombudsman que desenvolvem. Existe inclusive o Instituto Europeu de
Ombudsman. Destacam-se o espanhol La Vanguardia e o francês
Le Monde, famosos pelo comprometimento que assumem com seus leitores por meio do
ombudsman.
O jornalista Robert Solé ocupa o cargo de ombudsman no Le
Monde. Seu trabalho de ouvir o público e de criticar o próprio veículo causa tanta repercussão que acaba sendo reproduzido até em outros veículos, como na revista eletrônica brasileira
Observatório da Imprensa.
Em uma de suas críticas (19/5/02), Solé comenta a crítica de um leitor do
Le Monde que acusa o jornal de publicar uma entrevista superficial com o ministro do Planejamento francês, Dominique Voynet. Solé defendeu a idéia de que o jornalista responsável pela matéria deveria ter redigido a entrevista livremente, quase na íntegra. Como isso não foi feito, ele denuncia o profissional de ter publicado a entrevista de acordo com interesses pessoais. Ele dá uma amenizada ao deixar claro que é muito difícil para um jornalista transcrever um discurso oral gravado em uma fita cassete, colocando todas as emoções do entrevistado e as hesitações de sua voz.
Noutro, de 1.º/6/02, Solé aponta os defeitos da manchete do Le Monde
"La violence à la télévision" (A violência à televisão). A matéria falava sobre a violência e o sadismo transmitida por certos filmes e que perturbam as mentes infantis. O
ombudsman não deixa barato ao afirmar que a violência e a insegurança não estão presentes só nos filmes, mas nos também nos jornais, como no próprio
Le Monde, que não se cansa de salientar a violência urbana. "A violência está presente na ficção e na realidade", afirma ele.
Gérman Rey, mestre conselheiro da Fundación de Nuevo Periodismo, na Colômbia, escreveu na 53.ª edição da revista eletrônica
Sala de Prensa, que "o defensor do leitor é um ofício em construção. Ofício variado por um lado e titubeante por outro. Mas um cargo que concentra uma enorme potência que serve de espelho das turbulências que vivem diariamente as relações entre meios de comunicação e a sociedade".
La Vanguardia
O jornal espanhol
La Vanguardia também tem a sua tradição no ombudsman e na relação, com os leitores de uma maneira geral. Na versão online do jornal, existe a editoria de opinião com materiais de articulistas e críticos, temas para debates, espaço para o leitor, enquetes, fóruns, enfim, tudo para que haja um espaço de críticas permanentes ao jornal e à sociedade. Ali são tratados os mais diversos assuntos, de política à cultura, além é claro, de ser publicado o precioso
ombudsman, que está sempre atento aos próprios erros internos como às críticas vindos do leitor.
Em uma das críticas (14/8/03) do La Vanguardia, a leitora Magí Miret i Butí critica a matéria não assinada, cujo título era
"Pecado de simonia?". O autor escreveu que "simonia" é um lucro realizado em uma operação religiosa. Atenta, a leitora rebateu dizendo: "Se ler bem a história da igreja e as condenações medievais, vai descobrir que simonia é um conceito muito mais amplo, que entra no que chamamos hoje de tráfico de influências e abuso de poder." Como faz este veículo, é necessário dar ouvidos aos leitores. Afinal de contas, é necessário ter em mente que eles sabem tanto quanto ou mais que os jornalistas, uma classe tão susceptível a erros como todas as outras.
No site da Folha de S. Paulo, encontrei um trecho de Giagrande e Figueiredo (1997, p. 15) referente ao papel do
ombudsman: ''O mito da comunicação tem que ser quebrado. As organizações não poderão mais se satisfazer com os métodos arcaicos de falar com os seus públicos interno e externo. A comunicação moderna tem de ser ágil e informal - de preferência 'olho no olho' (...). A comunicação deve voltar aos seus princípios básicos de 'verdade'. Os clientes não mais se deixarão levar pelas propagandas enganosas e pelos produtos fora das especificações prometidas."
Sem sombra de dúvida, faz-se necessária uma maior interação do público com a organização, a fim de que os interesses de ambas as partes sejam compreendidos. Cabe ao Brasil seguir o exemplo de seus primos europeus.


criação: lisandro staut |
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