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Cultura popular gaúcha
Isadora Schmitt
O Rio Grande do Sul é louvado por ser o berço dos leitores no País. Pela colonização européia e forte cultura do jornalismo regional, muitos consideram as mídias do Estado como exceção, em relação à qualidade. Infelizmente, nem tudo é o que parece. Apesar do público ser um pouco diferenciado, os impressos da região não apresentam toda essa qualidade.
A população desfavorecida da terra de Getúlio Vargas até pouco tempo não possuía um veículo impresso que os representasse. Pelo fator preço e até mesmo pela falta de tempo. Jornais como
Zero Hora e Correio do Povo não podiam fazer parte da rotina diária deste segmento.
Com uma proposta diferenciada, criada unicamente para atender às necessidades do consumidor, foi lançado no ano de 2000 o tablóide
Diário Gaúcho, dirigido às classes B2, C e D. Pertencente ao Grupo RBS - empresa filiada às Organizações Globo que praticamente monopoliza o mercado da região - o veículo é um sucesso de vendas.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Marplan, o jornal é o mais lido da Grande Porto Alegre, alcançando cerca de um milhão de leitores (76% da população). Compreensível pelo preço de cinqüenta centavos, um tanto quanto acessível para seu público leitor, o jornal é daqueles que se espremer sai muito sangue.
Mulheres na capa. Essa é a figura mais freqüente encontrada no Diário. Correio do amor. Com certeza um dos maiores motivos do sucesso de vendas do tablóide. Coluna policial. Indispensável, pois saber da desgraça alheia é um dos maiores anseios do ser humano.
Como a maioria do povo brasileiro não lê, o Diário Gaúcho geralmente utiliza formas mais sutis para propagar sua ideologia. Querendo ou não, pessoas que se dão ao trabalho de abrir o jornal apresentam um nível intelectual superior daqueles que nada lêem.
Culto ao entretenimento
Manipular e banalizar. Na verdade, esses são os verbos mais usados pelo Diário Gaúcho. Apesar de apresentarem alguns resquícios quanto à programação de qualidade, o jornal tem como principal função propagar o culto ao banal e à cultura do entretenimento.
É isso que veículos desta categoria têm para oferecer. Os filósofos da escola de Frankfurt estavam realmente certos. Uma sociedade que está acostumada a consumir lixo, não tem como mudar de uma hora para outra. O País necessita de mudanças no mercado editorial, mas acima de tudo uma reforma na educação e na política.
Muitos críticos vêem jornais do nível do Diário Gaúcho como algo benéfico para sociedade. Como a classe menos escolarizada não obtém um hábito fixo de leitura, os "estudiosos" afirmam que assim poderão caminhar para veículos mais complexos.
Será? Nivelar por baixo é mesmo a melhor saída? Do jeito que a imprensa no Brasil está, não existem mais critérios para o que vai ser publicado. Sendo assim, o povo vai ficando cada vez mais alheio às informações de qualidade.


criação: lisandro staut |
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