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Diário dos
coronéis
Loriza Kettle
O jornal Tribuna do Paraná faz parte do Grupo Paulo Pimentel, inaugurado em 1962 pelo então secretário da Agricultura e futuro governador do Estado do Paraná, Paulo Pimentel. O império provinciano teve início com a editora O Estado do Paraná, mas hoje reúne uma editora, dois jornais e quatro emissoras.
Quando Pimentel adquiriu a editora O Estado do Paraná, o grupo já envolvia os jornais
Tribuna do Paraná - publicada desde 1956 - e O Estado do Paraná - veiculado desde 1951. Com seu surgimento, a editora torna-se uma das pioneiras a imprimir jornais no sistema "off-set" em cores.
Atingindo cerca de 27 mil exemplares por edição, a Tribuna adota uma linha editorial enfatizando exclusivamente o esporte profissional e amador e o noticiário policial. Os leitores não têm acesso à assinatura. Cada exemplar chega a ser lido, em média, por seis pessoas, a maioria delas das classes B e C.
De acordo com a pesquisa realizada pelo instituto de pesquisas Ipsos-Marplan, 79% dos leitores pertencem à classe média e baixa; 48% têm entre 20 a 39 anos de idade; 55% recebem de cinco a dez salários mínimos e 40% deles cursou somente o ensino médio, completo ou incompleto. Em suma, povo que anseia por entretenimento e relatos escabrosos.
Futebol e violência
A editoria de esportes é responsável pela venda do jornal nas segundas-feiras. Nela, podem ser encontrados todos os resultados de jogos dos fins de semana, incluindo críticas e análises. É um excelente caderno para os aficionados em futebol.
Na editoria policial o que predomina é o sensacionalismo. Manchetes do tipo "Morto a pauladas", "Enforcado e esquartejado" são comuns nas edições. No entanto, o que mais "choca" o leitor - e marca o jornal como "sensacionalista de carteirinha" -, são fotografias de corpos esfacelados na capa.
O diretor de redação, Rafael Tavares de Mello, parece gostar mesmo dessa "modalidade" de jornalismo. Em algumas edições do jornal o assunto violência é abordado em quadrinhos na capa, como a de
19/2/02 (veja foto). Como se o leitor se divertisse vendo a desgraça alheia - o que até certo ponto não deixa de ser verdade.
Dá pra imaginar na redação do jornal, o diálogo dos repórteres perguntando para outro de qual morte irão falar, como será o desenho e coisas do gênero.
Este tipo de conteúdo traz sérias conseqüências para a sociedade. Imagine uma criança vendo fotos de pessoas mutiladas. Esse tipo de notícia, em algumas pessoas, incentiva ainda mais a violência. Com tanta banalização da morte, a massa tende a não se impressionar mais. Age como se fosse tudo normal. Triste, mas comum.
A visão que temos é que sensacionalismo barato só acontece lá pelas bandas do interior do Nordeste, onde o cabra puxa uma "peixeira" para acertar um desafeto. Não é bem assim. O educado e elitista Paraná também possui seus coronéis.
Não há nada de mal em misturar jornalismo e entretenimento, mesmo porque entretenimento também é notícia. De certa forma ele está inserido na editoria Cultura. O problema é noticiar os crimes como se fosse um filme que vai estrear na próxima semana.


criação: lisandro staut |
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