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Fofoca
jornalística
Adriano Luz
Cada vez mais cresce o número tanto de tiragem quanto de diversificação das chamadas revistas de "fofocas". A grande questão deste assunto é: são somente voltadas para comentar a vida alheia de forma fútil ou realmente elas têm um cunho informativo válido?
A análise pode começar pela linguagem dos artigos publicados. Uma linguagem coloquial, simples e ao ponto, como deve ser a linguagem de informação rápida. Contudo, a ortografia e as concordâncias verbais são de entristecer a Jânio Quadros. A simplicidade não deve levar ao desleixo e a pobreza textual. Alguns destes erros são propositais para causar impacto nas informações, mas em sua maioria
ocorrem pela falta de conhecimento da língua e de profissionalismo dos editores.
Outro ponto é a diagramação desenvolvida em cima de hipertextos, que é a mesma forma utilizada em larga escala pelos
websites. Essa forma facilita a leitura rápida e dinâmica do conteúdo, onde cada texto solto na página faz parte do todo, mas de forma interligada e independente. Isso é válido e correto. O problema realmente está no conteúdo.
Para isso, o mais importante seria se preocupar com o conteúdo e não com a forma de apresentação, que normalmente está de acordo com as teorias de comunicação escrita. Esse sim é preocupante. Todas elas trazem algum tipo de informação relevante, de acordo com o
segmento econômico-social.
Ana Maria e Saúde!, além de fofocas, trazem dicas sobre saúde, comportamento e sexo. Tudo seguindo o fluxo das tendências atuais que servem de interesse momentâneo, mas não preocupadas com os efeitos colaterais decorrentes de artigos superficiais.
Essas revistas são devoradas por diversas classes sociais. Mas todas têm as mesmas características fundamentais: a vida alheia. As pseudo-informações embutidas nesses impressos servem para amenizar os comentários ácidos e a maneira fútil como são
abordados os passos de uma pessoa de destaque na mídia, seja ela um astro da música, um ator, uma socialite, um jogador de futebol, um político ou um bandido. Não importa, o importante é que esteja em evidência. Para este público mais elitizado revistas como
Caras e Quem se encaixam perfeitamente.
O melhor mecanismo de venda dessas revistas são as especulações. Essas dão um certo clima de "cenas do próximo capítulo". Sem contar os títulos sensacionalistas impressos nas capas, como é o caso das revistas
Contigo!, Viva e Tititi. São mecanismos de baixo calão para atingir o baixo escalão intelectual do nosso
País.
Se o cidadão realmente está em busca de informações consistentes e de fontes seguras e genuínas, deve buscá-las nos meios mais tradicionais e conceituados, mesmo que tendenciosos, porque ali reside maior segurança e veracidade das notícias factuais.
Mas quem quer apenas banalidades do mundo artístico e fantasioso, que aproveite esse material tão vasto e profundamente irrelevante.
Para
saber um pouco mais sobre as
revistas de fofoca, confira a entrevista com Paulo
Stein, ex-diretor de redação da revista Contigo!, na seção Perfil,
publicada em 27/11/02


criação: lisandro staut |
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