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Jornalismo ou publicidade?

Cíntia Sandri

Jornalismo e entretenimento será que combina? Se não combina, pelo menos está sendo a mistura certa em revistas de turismo do Brasil. Torna-se inevitável usar o jornalismo para falar de turismo sem entreter. 

A partir do momento em que o leitor está entretido com o assunto, este se torna mais interessante e conseqüentemente, tem efeito maior sobre o receptor. As matérias fazem com que tudo pareça ao seu alcance e elevam a mente do leitor direto ao lugar de destino, somente ao olhar fotos contidas nas matérias. É esse o poder que tem o entretenimento no jornalismo.

É onde se encaixa a publicidade. Que acaba vendendo um lugar perfeito, aquele sonho de viagem mostrado pelas revistas agindo como um complemento. Soma-se o simples de fato de essas publicidades sustentarem as revistas, pois são na realidade os patrocinadores. Portanto, eles escolhem os locais a serem mostrados e incentivados ao turismo.

Um bom exemplo é a Costa do Sauípe, na Bahia, onde foram construídos recentemente vários hotéis de luxo e parques. Como não havia turismo, causava um prejuízo tremendo para os investidores no local. Investindo em publicidades e promoções se tornaram freqüentes nas maiores revistas de turismo do País. Hoje a Costa do Sauípe recebe um número considerável de turistas e foi nomeada um dos pólos turísticos do nordeste brasileiro. 

Essa é uma prova de que a mistura desses três pontos, jornalismo, entretenimento e publicidade, dá certo. Um completa o outro de certa forma que parece concreta. Convence o leitor a aceitar suas proposições.

A sociedade acaba se tornando alienada por essas idéias de um mundo ilusório. Sonham com algo que não tem possibilidades. Um verdadeiro mostruário fora do alcance da maioria da população.

Venda de paisagens

As revistas Viagem e Turismo e Próxima Viagem são um bom exemplo desse jornalismo fantasioso. Suas matérias são voltadas para a venda de lugares. Nas suas páginas é possível ver catálogo com belas fotos tencionando chamar a atenção do leitor. 

Que fique bem claro! Não estou chamando essas revistas de inúteis. Elas são uma boa opção para se escolher onde passar as férias. Ih, lá vem os pacotes de turismo novamente...

Já a revista National Geographic - que não é propriamente de turismo, mas às vezes se presta a esse papel - traz uma cultura mais elevada, algo que pode complementar a visão de mundo do leitor. Ela não tem apenas interesse de vender lugares, mas sim mostrar aos cidadãos algo belo e verdadeiro. É possível ver que existem coisas que nos fazem, ainda que poucas, nos orgulhar desse lugar chamado Terra. Esse é um dos motivos que torna essa mistura com o entretenimento eficaz.

Entretanto, essa fusão de jornalismo com entretenimento e publicidade é válida até o momento em que não exceda os limites da realidade. Ou seja, não ultrapasse o senso do jornalismo consciente, aquele que tem por princípio básico informar.

                    



criação: lisandro staut