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Melhor, maior e péssimo

Marden Eduardo Ferreira

O jornal O Globo foi lançado em 1926, com o jornalista Irineu Marinho, muito antes das emissoras de televisão chegarem ao Brasil. Numa época em que não se imaginava o poder e a grandeza que comportariam as Organizações Globo.

Marinho morreu em virtude de ataque cardíaco 23 dias após a inauguração. Coube a Euclydes Matts assumir o veículo. Foi quando o distinto senhor Roberto Marinho (então com 20 anos), filho de Irineu, decidiu assumir o veículo, em 1930.

Neste mesmo ano, O Globo alcançou seu prestígio. O jornal destacou-se na cobertura da Revolução de 30, quando o então presidente Washington Luís foi destituído. O próprio Roberto acompanhou o caso e redigiu as matérias.

Lentamente, o jornal derrubou seus concorrentes, que, por sinal, eram muitos. Colaborou com isso o jornalista Evandro Carlos de Andrade, que dirigiu a redação por mais de duas décadas. 

Em 1989, O Globo passou a ser considerado o segundo maior jornal do País. Sua tiragem era de aproximadamente 258 mil exemplares, perdendo apenas para a Folha de S. Paulo (308 mil).

Hoje, a situação não é diferente. Embora sirva cabalmente ao poder - aliás, como toda a organização -, tecnicamente o jornal é realmente um dos melhores. Os jornalistas têm destaque nacional, as páginas são bem diagramadas e o conteúdo atinge a maioria das classes sociais.

O Globo serve ao poder, porque não se limita a noticiar fatos, mas dá-lhes interpretação própria de acordo com os interesses do jornal (ou do patrão), como aconteceu nas últimas eleições presidenciais*. Serve ao poder e serve-se dele para não afundar em causas trabalhistas e cíveis.

Além disso, o jornal prioriza seus interesses financeiros, uma vez que certas páginas chegam a ser impressas com mais de 90% de sua área coberta por anúncios. Isso gera controvérsia na redação, pois os repórteres não podem escrever contra algum de seus anunciantes. As considerações econômicas sobrepujam a isenção jornalística.

Algo que merece ser destacado também, é que o Jornal do Brasil é o grande concorrente do jornal O Globo entre os leitores cariocas. Mas o interessante a ser notado é o fato de haver uma grande rixa entre os que lêem um e outro. O principal argumento dos leitores do JB é justamente a idéia citada anteriormente sobre os interesses e, por conseqüência, a parcialidade que O Globo apresenta em todas as suas edições.

Talvez pareça contraditório que um dos melhores diários do País seja também um dos mais manipuladores de opinião. Mas, tratando-se de Organizações Globo, isso não é novidade.

* NR:
Embora essa não seja a opinião do articulista, o Canal sente-se na obrigatoriedade de informar que o Instituto Brasileiro de Estudos em Comunicação (Ibec) classificou o O Globo como o jornal mais imparcial da grande imprensa, com 80,75% de isenção.

                  


criação: lisandro staut