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Gigante
da economia
Dalvina Nascimento
O jornal
Valor Econômico pertence, em partes iguais, ao Grupo Folha e às Organizações Globo. O periódico tem se mostrado um jornal pluralista e aberto à diversidade de pensamento, tanto social quanto econômico. Possui ainda uma característica importante: é apartidário. Baseadas em um projeto visual inglês, suas páginas internas e capa são bem coloridas, diferente da monotonia de seus concorrentes.
Esta parceria milionária não juntou o que já existia, mas produziu algo inexistente. Nada difícil, quando se trata de um investimento de 50 milhões de dólares. Na terça-feira, 2 de maio de 2000, o diário
Valor Econômico começou a circular. A primeira edição trazia a chamada "FHC e Lula dão receitas para o País crescer mais".
Desde o início, o jornal apresentou um alto padrão editorial, independente de governos, grupos econômicos, facções políticas e candidaturas. Seu principal objetivo é se tornar continuamente um jornal atraente, moderno, de fácil compreensão, mantendo ainda a profundidade e o rigor técnico. Falar com a elite econômica, mas também com um público mais amplo que se interesse por economia e negócios, tem sido a meta do
Valor. Sua circulação é nacional.
Grande parte de seus leitores possui em média 30 a 49 anos de idade. As classes A e B representam 97% dos leitores e 83% têm formação superior completa, sendo que 62% são diretores, gerentes ou proprietários e dois terços interferem diretamente nas decisões da empresa. Somente 8% são profissionais liberais.
Cumprindo a promessa de denunciar a injustiça, a corrupção, a incompetência no trato dos assuntos públicos, já foram editadas no
Valor Econômico diversas matérias que comprovam sua idoneidade. O
Valor busca também promover o desenvolvimento social, reconhecendo a excelência do trabalho de agentes econômicos e sociais no País.
O Valor Econômico criou três prêmios, entre eles o "Ethos Valor", dedicado a universitários que utilizaram em suas monografias temas que abordam a responsabilidade social das empresas. O motivo principal das premiações, tanto entre estudantes como empresários, é de fortalecer as relações entre comunidade, meio ambiente e consumidor.
O massacre da Gazeta
Depois do lançamento, a resposta do público foi positiva. A circulação do jornal atualmente fica em torno de 80 mil exemplares. Representa dois terços do veículo concorrente,
Gazeta Mercantil.
Este é um capítulo à parte. A parceria entre o Grupo Folha e as Organizações Globo, dois gigantes da imprensa brasileira, chegou a ser alvo de muita especulação. Antes de juntar as forças, ambos os impérios viviam em guerra. Com a união, os conflitos cessaram e receberam até o apelido de Grupo Bolha.
Não é preciso muitos esforços para entender que a união ocorreu em busca de paz entre ambos, mas também por causa dos lucros que juntos poderiam conquistar no mercado brasileiro, massacrando assim os concorrentes.
Um ponto importante nesta parceria: o Valor é um projeto jornalístico, mas embaixo dele fica embutido um desejo de destruição. Seu alvo número um é, sem dúvida, a
Gazeta Mercantil, que mesmo sendo dona do mercado, não tem condições de pagar tudo o que deve, se tornando vulnerável. Os próprios criadores do jornal assumem a estratégia.
Existem rumores de uma possível associação entre a Gazeta Mercantil e
a indústria petrolífera Marítima Engenharia e Petróleo, liderado por German Efromovich, mas nada confirmado.
Seria desleal comparar decadente Gazeta Mercantil com o jornal Valor Econômico. O
Jornal do Comércio
de Porto Alegre outro concorrente do Valor, não apresenta muitas ameaças. Sua tiragem é de
cerca de 27 mil e seu público-alvo tem entre 20 a 29 anos. Já o Jornal
do Commercio do Rio de Janeiro assusta: 59 mil.
Time competente
O jornal
Valor Econômico reuniu o mais completo e influente time de articulistas econômicos, nacionais e internacionais da imprensa brasileira, como Luiz Gonzaga Belluzo. O diretor de redação é Celso Pinto, que já trabalhou na
Gazeta. Foi ele o responsável pelo sucesso do jornal, apostando em política economia, finanças, qualidade dos artigos de opinião e atendimento ao leitor.
O diretor adjunto de redação, Carlos Eduardo Lins da Silva, doutor em Comunicação Social, já atuou como professor na Cásper Líbero, foi correspondente da
Folha de S. Paulo em Washington, entre outras funções de destaque.
A equipe de reportagem também rendeu furos e notícias relevantes. Basta lembrar da entrevista que deu ímpeto às investigações sobre o escândalo do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto. Também se destacou a edição de outubro de 2000, quando o Valor revelou o segredo do
recall dos Corsas da General Motors - a matéria causou a queda das ações da GM em Nova York.
O jornal já recebeu 14 prêmios, entre eles o Prêmio Esso de Jornalismo - na Categoria Informação Econômica - e o Prêmio Bovespa de Jornalismo 2000, 2001, 2002.
A história dos gigantes imbatíveis não tem final feliz ainda. Como nem tudo é perfeito, os gigantes Globo e Folha brigaram novamente. Apesar do sucesso do
Valor, falta verba para novos investimentos e nenhum dos grupos está em condições de comprar as ações do outro para resolver o impasse. Ainda não se sabe qual será o final desta peça.


criação: lisandro staut |
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