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Vida,
morte e ressurreição
Gladiston do Nascimento
Dentro do conjunto que formava o grupo de
Diários Associados no início do século passado, encontra-se o Diário
Popular. O grupo integrado de jornais liderado por Assis Chateaubriand contava com a participação de grandes veículos, como O
Jornal, Diário da Tarde e Correio do Ceará.
A história do Dipo - como era carinhosamente chamado -
nos remete ao final do século XIX. No ano de 1884, José Maria Lisboa e Américo de Campos fundam o que até setembro de 2001 era a quarta força entre os jornais paulistas.
O Diário Popular nasceu envolto em cerimônias, como comenta Alberto
Dines, editor do Observatório da Imprensa (29/9/01): "Houve tempos em que jornalismo fazia-se com emoção e pompa. Era disso que o leitor precisava para enobrecer aquele precário maço de papel e distingui-lo de outros que se vende a peso", analisa em "Morte sem necrológio, nascimento sem batismo", artigo que trata da morte do
Dipo e nascimento do Diário de S. Paulo.
Vivendo seu apogeu nos anos 50 até os anos 70, o Dipo se destacava como o jornal que falava a "língua do povo".
O declínio pode ser verificado já no início dos anos 80, quando se percebe o crescimento a galopes de outros veículos. Mesmo depois de um grande número de tentativas de revigorar o jornal e grande investimento para aumentar o público, o jornal é extinto em 2001.
Marketing, o vilão
Há quem critique o fato de que nem o mercado, nem outros motivos são suficientes para acabar com uma história de 116 anos de existência.
Dines ainda questiona, no artigo citado anteriormente, o fato de surgir um novo jornal tão somente por análises e pesquisas de mercado. "Acabou a solenidade, jornal virou produto. O marketing é que manda, jornalista não apita. Neste ambiente de supermercado, mata-se um jornal com a mesma frieza com que se muda a embalagem do biscoito", dispara ele, numa tentativa de alertar a invasão de publicitários no ambiente jornalístico.
O site Comunique-se, na matéria "Novo diário quase nasce sem acento" (17/9/01), também apresenta o marketing e os publicitários como "assassinos" do prestígio do
Dipo: "A Infoglobo, braço das Organizações Globo para jornais e rádios decidiu mudar o nome
Diário Popular, com 116 anos de existência, baseada estritamente em pesquisas".
Enfim, o Diário de S. Paulo
O
DSP nasceu sobre bombardeio do meio intelectual conservador do jornalismo com uma linguagem que não deixou de ser popular. Análises
mostram que o leitor gostou do novo desenho e da facilidade de encontrar as matérias.
Depois de seu lançamento, o jornal estagnou em termos de tiragem (110 a 120 mil durante a semana e 130 a 140 mil aos domingos).
Segundo o diretor Merval Pereira, o jornal nasceu para alcançar, o nicho que existe entre os leitores da Folha e do
Estadão. E sabendo, disso aposta na classe B para, no futuro, fazer uma tiragem de 300 mil por dia, o que segundo outros publicitários é uma intenção ousada. Até hoje, a estratégia não encontrou êxito.
O DSP busca exercer a função de agente informativo do povo. O jornal valoriza a ética e a moral, diferente de seu concorrente, o
Jornal da Tarde, que possui caráter apenas informativo, ou do extinto sensacionalista
Notícias Populares.
Outro aspecto importante é a direção de todo o trabalho. No Dipo, grandes nomes
fazem parte da galeria de diretores de redação, como Joaquim Alessi e José Roberto Alencar. Atualmente, o
DSP é dirigido por Orivaldo Perin. Não há dúvida de que os diretores foram responsáveis por toda estrutura dada para o
Dipo ter o prestígio herdado pelo
DSP.
Com menos de dois anos, o DSP ainda vive um período de descoberta de público. Sente-se que o objetivo de criar uma audiência específica poderá ser alcançado somente em futuro longínquo. Há, contudo, quem acredite que o jornal não ultrapasse a média do que vêm conseguindo. O que se sabe é que o veículo tem todo um enredo de história. Incluindo vida, morte e ressurreição.


criação: lisandro staut |
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