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jornalismo científico
Dayse Bezerra
Foram noites estudando, digitando, lendo. Pilhas de livros para ler, muitas
fotocópias e impressões. Dores de cabeça, nas costas, nas mãos. A pressão dos amigos, professores e pais. Os nervos à flor da pele e aquela preocupação:
"Será que vou conseguir dar conta do recado?" Estas foram situações vividas pelo formando em Jornalismo, Allan
Novaes no seu Projeto Experimental em Jornalismo.
O brasiliense Allan Novaes já respira aliviado com a aprovação de seu
Prex e se considera agora um jornalista diplomado no campo profissional. Mas seu profissionalismo na área já vinha sendo praticado durante o percurso da faculdade. Uma forma inteligente de construir seu currículo para estar mais habilitado e com um melhor diferencial para encarar o mercado concorrido do Jornalismo.
Como todo jornalista que procura estar bem-informado, ler muito é a obrigação mínima que a profissão exige. Mas a leitura por revistas científicas sempre chamou a atenção de Novaes, em especial a
Superinteressante. Em julho de 2002, após o assunto abordado sobre a Bíblia, com 132.900 exemplares vendidos - sendo a segunda revista mais vendida da história da
Superinteressante -, Novaes se mostrou interessado para analisar a revista.
Ele começou a indagar algumas questões. Por ser uma revista de cunho científico,
por que as ciências humanas sobrepunham fortemente as ciências naturais com ênfase na religião? Estaria o jornalismo científico tomando novos rumos?
As indagações a respeito da revista foram ampliadas em 2003, quando Novaes publicou um artigo na
Acta Científica sobre a temática religiosa da Superinteressante com uma abordagem superficial de hipóteses. Seria esta a consideração inicial de um problema encontrado. Um princípio básico da monografia.
Escolhido o tema para a monografia científica, "A Crise da Ciência: pós-modernidade e a prática do jornalismo científico em
Superinteressante", Novaes elaborou suas hipóteses. E para prová-las foi preciso muita pesquisa.
Contatou o atual diretor de redação da
Super, Adriano Silva, que passou as estatísticas de vendagem campeãs da revista sobre os assuntos mais abordados e dados complementares para concluir o
Prex.
Sendo uma revista especializada em ciência e tecnologia, com 3,7 milhões de leitores no Brasil, a
Super passou por mudanças coincidindo com as reflexões acadêmicas de Novaes, em que a expansão da revista, por sua vez, aumentou o número de matérias e capas sobre religião e misticismo.
Sobretudo na última reforma gráfica e editorial realizada por Adriano Silva após 2000.
Juntou os dados das pesquisas da trajetória cronológica durante as quatro
gestões e comparou a primeira gestão de Gajardoni (1987-1994) com a de Silva (2000). Destacou que o interesse por capas de ciências naturais sobre corpo humano, saúde e
tecnologia diminuiu de 79% para 25%. Já as ciências humanas, tratando de religião, comportamento e ficção, cresceram de 21% para 75%.
Os dados confirmaram as hipóteses da sua monografia comprovando a nova tendência de mudança no jornalismo científico e o objetivo da mudança editorial da
Super em relação ao conceito de ciência e a escolha de temáticas nas capas que "segue paralelo à lógica do mercado e
à preocupação essencialmente publicitária dos editoriais", conclui Novaes.
A reação do leitor pós-moderno da Super definirá a análise para as mudanças da revista. E para acompanhar
essas tendências por assuntos mais humanistas de dentro da ciência, a revista busca acompanhar as expectativas de seus clientes resultando em uma nova cara para o jornalismo científico.
Como base teórica para sua conclusão, extraiu o seguinte do autor e filósofo espanhol Miguel de Unamuno: "As variações da ciência dependem das variações das necessidades humanas, e os homens de ciência costumam trabalhar, quer queiram, quer não, consciente ou inconscientemente, a serviço dos poderosos ou do povo, que lhes pedem confirmação de suas
aspirações."
O ponto mais alto da sua monografia foi, segundo o formando, "a própria percepção das mudanças" ao se referir às análises realizadas na
Super no leitor pós-moderno e no jornalismo científico. Novaes elogiou o acompanhamento de seu orientador, Vanderlei Dorneles, que o deixou tranqüilo e foi bem presente no desenvolvimento do trabalho.
Para os professores da banca, o trabalho é bastante sugestivo para o aprofundamento em um mestrado na área. O
Prex teve um excelente resultado para a banca avaliadora, que deu nota máxima para a apresentação e trabalho escrito de Novaes.
Agora, com a aprovação do seu Prex e o diploma na mão, parar de estudar não é o objetivo de
Novaes. Este foi o passo inicial para quem busca fazer o que realmente gosta. Se foi trabalhoso fazer uma "monografia" científica, imagine concorrer ao "polimercado" do jornalismo. Bom, isto já é assunto para outras noites sem dormir.


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