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Assumindo
riscos
Carolina Riguengo
Ousadia, independência e liberdade de expressão é o que o jornal O
Estado de S. Paulo tem procurado manter através de seus 125 anos de vida. Sua trajetória foi interrompida de 1940 a 1945 por causa da ditadura de Getúlio Vargas. O
Estadão foi uma das primeiras vítimas da ditadura.
O jornal já comprava briga com os republicanos desde o final do século XIX quando ainda se chamava A Província de
S. Paulo. Foi "condenado" pelas críticas feitas sobre o abolicionismo.
Anos depois, para o governo Vargas era um jornal que incomodava, pois só informava a população sobre os erros governamentais - o que também era visto como um disparate.
Sentindo-se ofendidos e ameaçados pela postura editorial do Estadão, os ditadores sentiram a obrigação de acabar com o jornal. Por isso, a sede foi invadida e foram expulsos diretores e jornalistas.
A polícia militar acusava a direção do jornal de possuir armas escondidas na redação. Por isso, deveriam ser subordinados
ao DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), sob a direção de Abner Mourão, do jornal
Correio Paulistano.
Novamente em 1971, os militares voltaram ao poder e chegaram a instalar censores nas redações dos jornais tendo
vetado todas as informações sobre declarações contrárias ao regime ditatorial, protestos e prisões. Para mostrar aos generais que não era tão fácil calar a boca dos jornalistas, o plano era mostrar aos leitores que tinha alguma coisa estranha acontecendo. A poesia de Camões foi a arma para isso. Textos como "A defesa da liberdade de imprensa não é solitária" eram substituídos por
Os Lusíadas.
A ditadura passou. A censura, a violência e as armas assustadoras de uma época tão
terrível agora são disfarçadas com outras formas. Mas que elas existem, existem. Hoje, a ditadura tem outros protagonistas. São os "fantasmas" de Getúlio de olho na imprensa. Mas
quem não deve, não teme. Ou teme? Será que políticos, grandes instituições e alguns empresários têm algo ruim escondido
a fim de desejar que a imprensa seja a proclamadora de seus interesses ao invés de um instrumento de denúncia?
A conclusão fica a critério de cada um. Mesmo porque, agora, sem provas, nada é concreto, nada se afirma com certeza. Mas a luta de cada jornalista pela verdade e sua liberdade de expressão deve continuar a ser uma meta. Todo jornalista deve
se importar com a informação a ser transmitida e ter o equilíbrio entre a coragem de assumir riscos e o bom senso.


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