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Ciência sem frescura

Larissa Jansson 

As descobertas, pesquisas, leis, teorias, debates científicos com sua linguagem e aparente complexidade, parecem interessar somente aos membros da comunidade científica. Salvo raras exceções, grande parte dos pobres e leigos mortais estariam fadados à confusão e frustração ao tentar se aventurar na enfadonha tarefa de compreender qualquer coisa referente a esse universo, caso dependessem unicamente das publicações produzidas pelas universidades, centro de pesquisas e teses científicas. 

Na tentativa de aproximar esses dois mundos, algumas publicações buscam facilitar a compreensão do mundo científico e também tornar essa jornada mais prazerosa. Dentre os periódicos desse ramo no Brasil, a editora Globo publica há seis anos a revista Galileu, ex-Globo Ciência, primeira publicação desse gênero da editora, lançada em 1991. Globo Ciência era mais técnica e publicava assuntos de interesse científico e tecnológico, seguindo a linha editorial do programa de televisão homônimo.

Em setembro de 1998, chegava às bancas o primeiro exemplar da Galileu, resultado da busca por temas mais variados, estratégia de marketing e muitas pesquisas. Galileu nascia com a missão de apresentar a ciência de forma mais variada e interessante para o público leigo.

A revista possui conteúdo didático e visual moderno com mais páginas, seções (ciência, história, cultura, tecnologia, e outras), gráficos e ilustrações do que sua antecessora. Passou a abranger temas mais leves e periféricos, atraindo principalmente estudantes. Seu conteúdo engloba temas variados como curiosidades e assuntos do cotidiano e utilizando uma linguagem simples e por vezes divertida, procura desmistificar a física, química, matemática e astronomia dentre outros campos e suas matérias variam desde a religião à clonagem humana. 

Destaques

No decorrer desses sete anos de ciência, muitas matérias merecem destaque. Por exemplo: "A medicina avalia os prós e contras da maconha" (11/2001). Galileu abordou o assunto de forma direta e esclarecedora, apresentando a trajetória da "erva" pela história e os prós e contras de seu consumo. Expôs o contraste de opiniões de vários países sobre a hipótese da liberação da droga para consumo e, também, seu uso medicinal. Ouviu os conflitantes argumentos de especialistas sobre o uso da droga para fins terapêuticos e citou pesquisas que revelam que a maioria dos médicos norte-americanos receitaria a droga se esse procedimento fosse legalizado. Ouviu também outros que já prescreviam à seus pacientes a despeito da proibição. 

A matéria sobre arqueologia e religião "Jesus e os pergaminhos do mar morto" (3/2002) discorre sobre o final da tradução dos pergaminhos do Mar Morto - a maior descoberta arqueológica do século passado - e seu impacto sobre diferentes grupos de pesquisadores e crenças. Utilizando linguagem simples e direta, introduz o leitor a alguns dos principais acontecimentos da história do povo judeu e os principais grupos que dividiam o povo judeu naquele tempo até sua dispersão final pelos romanos.

Já em "Memórias da Morte" (4/2002) aventurou-se a explicar, de forma racional, o mistério das experiências de pessoas que quase atravessaram o "túnel da morte" publicando uma matéria sobre o estudo do médico holandês, Pim van Lommel. O médico compilou uma série de entrevistas com pessoas que afirmam terem passado por essa experiência. A revista estimula a reflexão sobre o assunto mostrando diferentes pontos de vista de líderes religiosos, como o padre Quevedo, e de especialistas que acreditam ter uma resposta científica para o fenômeno. 

Outro ponto positivo observado, nessas e noutras matérias, é que em vez de contar apenas com o que já está disponibilizado pela imprensa internacional, Galileu procura também divulgar a ciência produzida no Brasil estabelecendo uma relação direta com o cientista e procurando ouvir o que eles têm a dizer sobre os mais diversos temas. Deste modo, presta importante contribuição ao jornalismo científico e à ciência nacional.

Essa preferência em popularizar o conhecimento científico obteve boa resposta dos leitores. As publicações são muito utilizadas em sala de aula por professores e alunos do ensino fundamental e médio, parcela importante do público de Galileu

O conteúdo da revista nem sempre é científico, mas Galileu procura explicar todas as coisas sob a ótica da ciência, ao mesmo tempo que cumpre de forma bem-sucedida sua missão de popularizar a ciência e o conhecimento.