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Geração "atitude"

Danúbia Guimarães 

"Meio comprida, não quer mais sapato baixo, vestido bem cintado, não quer mais vestir gibão. Ela só quer, só pensa em namorar". É mesmo impressionante como o compositor Luiz Gonzaga descreve com tanta simplicidade, mas também com tamanha precisão, o comportamento de algumas jovens da geração "mundo fashion", sejam elas brasileiras, americanas ou afegãs. 

Como que enfeitiçadas, as "moçoilas" correm desesperadamente para o seu salão de beleza predileto ao primeiro badalar da nova moda sugerida pela mídia. Ludibriadas, muitas delas parecem crer que vivem num constante conto de fadas, no qual, para conseguirem seu príncipe encantado, compram o que podem - e o que não podem também - para se tornarem "atualizadas e modernas". Assim, esperam elas conquistar o amado. Especialistas em transformar jovens mulheres não só em leitoras em potencial, mas torná-las consumidoras de modo geral, a imprensa vem investindo num público que se torna cada vez mais promissor: o feminino. 

Uma das pioneiras nesse ramo é a revista Capricho, considerada a primeira grande publicação feminina no Brasil e a primeira revista adulta da Editora Abril, sua fundadora. Criada em 18 de junho de 1952, a revista se manteve quinzenal até a sua oitava edição. Logo na estréia, foi um fracasso total de vendas. Mesmo com a grande divulgação feita nas rádios e revistas já consagradas da época, como a Cruzeiro, não conseguiu atingir nem um terço de sua tiragem, que era de 90 mil exemplares.

Metamorfose ambulante


A partir da nona edição, a revista tornou-se mensal - período em que alcançou a incrível marca de 100 mil exemplares vendidos. A fotonovela ainda era seu ponto principal. Diferente de outras revistas, a Capricho evitava explorar assuntos eróticos ou expor violência gratuita, mantendo o respeito para com suas nem tão jovens leitoras. Suas histórias passaram a ser completas numa mesma edição, em vez de serem dividas em capítulos. Seu público-alvo era mulheres entre 20 e 40 anos.

Seu apogeu se deu em 1960, ano que atingiu 500 mil cópias vendidas, a maior tiragem de uma revista na América Latina, até então. Suas páginas passaram a ter cada vez mais anúncios publicitários indicando a grande capacidade de compra de seu público. Isso deixa claro o significado do slogan do magazine: "A revista da mulher moderna". 

Novamente a Capricho resolve inovar. Desta vez, mudou o público-alvo. Em 1982, passou a se direcionar para as meninas de 15 a 22 anos e, mais tarde, para garotas da faixa de 12 aos 19 anos. Devido a tantas transformações, o slogan e o logotipo sofreram modificações, fazendo com que as vendas caíssem pela metade. O diferencial das fotonovelas também foi cortado da revista.

No fim de 1980, e início de 1990, o slogan era: "A revista da gatinha" - acrescentando um "miau" ao logotipo. Com isso, conseguiu atingir o público mais jovem. Em 1997, passou novamente por reformas gráficas, e diminui a idade do público-alvo para meninas de 12 a 16 anos.

Capricho hoje

Para firmar o compromisso de manter as jovens "atualizadas e modernas", a Capricho disponibiliza matérias sobre a intimidade dos famosos (meio encontrado para substituir as fotonovelas extintas), comportamento, moda, relacionamentos e outras informações importantes - para os adolescentes - como: programação de shows, eventos e um guia de compras com preços e endereços.

Atualmente, a revista é quinzenal. Atinge 85% das pequenas mulheres. Sua maior representatividade é a região sudeste do Brasil, com 62% das vendas, com uma tiragem de 230 mil exemplares.

Como se pode notar, a Capricho vem alcançando sua missão de "informar e formar garotas de atitude". Mas que tipo de atitude ela se refere mesmo? Ao consumismo exagerado que as jovens apresentam ou na atitude de manterem-se fiéis na compra da revista?