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“Muito carburador trocado”

Caroline Ferraz 

Rodas, portas, bancos e acessórios. Grandes, pequenos, altos ou baixos, não importa, o centro das atenções é o carro. Para aqueles que são vidrados por automóveis, a revista Quatro Rodas surgiu para atender as suas necessidades. A revista é voltada para um público, em sua maioria, do sexo masculino entre 18 e 39 anos de classes A, B e C, e tem como objetivo "defender os interesses do leitor, orientando-o a fazer melhores negócios". Em agosto de 1960, ela chegou às bancas e conquistou um público apaixonado por carro: o brasileiro.

"Mais de quarenta anos se passaram desde a criação de Quatro Rodas e nosso combustível é o mesmo: continuamos movidos a gasolina", afirma Mauro Litrenta, do departamento de atendimento ao leitor da revista. Os funcionários, a redação, o endereço e o projeto gráfico foram mudados e renovados desde 1960, porém, a "paixão pelo mundo das quatro rodas surge a cada dia".

Victor Civita, fundador da Editora Abril, tinha três razões para lançar a revista. Primeiro, o crescimento automobilístico no Brasil era considerável. Segundo, os consumidores necessitavam de uma publicação com informações completas e compreensíveis sobre manutenção, consertos, serviços, etc. Terceiro, "porque belíssimos recantos de nosso País estão esperando para serem descobertos e valorizados turisticamente por aqueles que possuem carros e um louvável espírito de aventura", completa Civita na primeira edição da revista.

O início

A primeira edição da Quatro Rodas contou com uma seção de tabelas de carros novos e usados, que desde o início fez sucesso e, ainda, com um mapa turístico colorido. Um ano depois da estréia da revista, foi realizado o primeiro teste em que critérios como pintura, estética, acabamento, comandos eram avaliados. Ainda em 1960, a revista foi autora de denúncias quanto a corrupção de órgãos públicos responsáveis pela emissão das carteiras de motorista e ineficiência da polícia.

No mesmo período, o Brasil teve um ano de muita produção. Houve três tentativas de exportação, mas, enquanto isso, o brasileiro se encantava com o modelo da Volkswagen, o Fusca.

Um aumento no preço do petróleo abalou os motoristas brasileiros. Devido a isso, o governo decide lançar em 1975, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), mas somente quatro anos depois os motoristas se "rendem ao álcool". Mas tanta tormenta serviu para o amadurecimento da revista. O número de testes aumentou juntamente com a credibilidade que a revista adquiriu ao longo dos anos. 

Em 1990, o mercado nacional ressurgiu com o "milagre do carro mil", forçando a produção nacional a "correr atrás do tempo perdido". Em 1992, a economia abriu um espaço à importação de modelos modernos. Já na virada do milênio os valores mudam. O consumidor priorizava a segurança na escolha do automóvel. E lá estava Quatro Rodas, mais que "antenada" pronta para atender o leitor. 

A revista publica, anualmente, reportagens que valem de referência para montadoras melhorarem seus modelos, mas, principalmente, ajudando o leitor a comprar o melhor carro. Alfredo Ogawa é o atual chefe de redação da revista. Atualmente, ela atinge uma tiragem de aproximadamente 224 mil exemplares.

"Muito carburador foi trocado, muito bico de injeção foi limpo, muitos quilômetros foram rodados por este imenso País afora. Muita tecnologia surgiu e muitos carros morreram enquanto outros se tornaram clássicos. Muito leitor virou jornalista, muita gente aprendeu a gostar de carros lendo Quatro Rodas e o tempo inevitável passou. Mas nosso motor continua firme e forte. E, o mais importante: movido a gasolina!"