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Império encantado

Tiago Cabreira 

Quem nunca foi um X-maníaco, que atire a primeira pedra. A popularidade e o sucesso que aquele estranho grupo de mutantes teve em 1960 foi evidente. Até hoje, tem-se lembrança de uma das primeiras formações dos X-Men, como a Garota Marvel, Ciclope, Destrutor, professor Xavier, Polaris, Anjo, Homem de Gelo e Fera. A marca registrada desses super-heróis foi a ação e uma infinidade de temas sociais abordados nas histórias. Quantos momentos. Quantas sagas. Os anos se passaram. E os monstros, tornaram-se muito mais resistentes a ponto de tirar os nossos velhos amigos de cena. Mudanças foram inevitáveis. Num estica e corre tão rápido, semana após semana são necessários novos heróis nas páginas para manter a audiência. Hoje, Os Incríveis fazem a festa.

É desse conflito de super poderes que a Editora Abril sobrevive a 54 anos. Desde de seus primórdios, a Abril investiu no público infanto-juvenil. Sua primeira revista em quadrinhos, publicada no ano de sua criação (1950), nasceu com o grande astro da Walt Disney, o Pato Donald. Com seu jeito todo atrapalhado e sua voz fanha, Donald rendeu uma tiragem de mais de 82 mil exemplares somente na primeira aparição. 

Os desenhos em quadrinhos fizeram mais de 27 milhões de pessoas, por dia, lerem as revistas da Editora Abril. Os quadrinhos não eram como hoje, com capas multicoloridas e tanta tecnologia. Eram como um pequeno jornal informativo. O crescimento desse mercado se manifestou de tal forma que, a partir do Pato Donald, seguiram-se os personagens Mickey e Zé Carioca.

Por isso, em 1990, foi criada a Abril Jovem para dar unidade às publicações juvenis e permitir uma expansão internacional. A Abril Jovem é um segmento da editora destinado a produzir um material exclusivo para crianças de sete a onze anos. Publicações com a missão de divertir e transmitir conhecimento. Esse departamento foi uma das áreas da empresa que mais sofreu mudanças para atender um público tão volúvel e exigente.

Anos de mutação

O começo do famoso império Abril Jovem se deu com os clássicos Pato Donald, Mickey e Zé Carioca, em 1950. Esses eternos personagens se transformaram num trampolim para o surgimento das pioneiras revistas em quadrinhos: Heróis da TV e Superaventuras Marvel.

Não demorou muito para que os X- Men invadissem as bancas. Em 1963, chegava as mãos dos pequenos leitores a primeira edição da revista que em pouco tempo se tornaria a revista mais lida no Brasil.

Mas nem todo sucesso foi de super-heróis. Em 1970, a Abril criou a revista Diversões Juvenis. Dois anos depois seria a vez da revista Pancada e, logo em seguida, criou o Estúdio de Quadrinhos Disney. O departamento se destinava a organizar e produzir modelos de personagens e manuais para auxiliar o trabalho de desenhistas e argumentistas, desenvolver novos talentos e controlar a qualidade das histórias Disney produzidas no Brasil.

Em 1984, o Estúdio de Quadrinhos deixou de cuidar apenas dos personagens de Walt Disney acumulando à produção de histórias em quadrinhos personagens como: Luluzinha, Moranguinho e He-Man. O Estúdio alcançou a produção de cerca de 300 páginas mensais.

A Redação Disney Abril, em 1994, planejou a edição comemorativa 60 anos do Pato Donald, que recebeu o prêmio HQMix de Melhor Lançamento do Ano.

Em setembro de 1995, os estúdios Disney Abril foram autorizados a produzir no Brasil histórias em quadrinhos com os personagens dos novos Clássicos de Animação como: O Corcunda de Notre Dame e Hércules. Três anos depois, a Abril Jovem desenhou o clássico Disney Mulan.

Em meados de 2000, a produção deu um pequeno descanso para os quadrinhos Disney e se voltou para a A Turma do Parque, com personagens criados pelo desenhista Moacir Rodrigues, para o Parque do Gugu.

Agora é hora do recreio

Desde 1950, os super-heróis lideraram as primeiras páginas das revistas infantis. Monstros, bandidos, loucos e ladrões travaram uma cansativa luta contra os mocinhos. A luta era tanta, que a Abril quis dar um recreio para os super-heróis. Nascia, então, a revista infantil Recreio, um veículo composto de atividades que despertam nas crianças o prazer pelo conhecimento próprio e do mundo ao seu redor. O maior desafio da revista é fazer do conhecimento uma diversão.

A Recreio possui uma equipe comprometida em favorecer o desenvolvimento das crianças sempre presente na qualidade e na cuidadosa seleção das informações publicadas. Todas as sessões são elaboradas por uma equipe de jornalistas com a consultoria de educadores e de especialistas nas várias áreas do conhecimento.

A revista é um semanal dirigido a crianças de 6 a 11 anos de classes A e B. É uma revista infantil recomendada por pais e professores. Ela é percebida pelas mães como "entretenimento de qualidade, que respeita a criança e colabora com a escola". Mantêm um compromisso de informar e formar crianças trazendo matérias sobre bichos, passatempos, notícias da TV e do cinema, curiosidades, testes e histórias em quadrinhos. Mais de 46% das mães que conhecem Recreio lêem a revista junto com seus filhos.

O periódico tem uma tiragem de 106 mil exemplares e uma circulação líquida de 60 mil exemplares, na qual 17 mil são assinaturas e 43 mil revistas avulsas. É uma revista altamente pedagógica e prática. Vem com um brinquedo surpresa, uma coleção de bichinhos de plástico desmontáveis e colecionáveis.

Além do impresso, o periódico tem um site organizado onde o pequeno internauta encontra um conteúdo interativo com jogos infantis, enquetes, bichinhos virtuais, cartões, dicas da natureza, curiosidades, testes, piadas e outras atrações.

A revista Recreio encanta meninos e meninas com jogos, atividades e curiosidades. As reportagens e os diversos passatempos podem ser utilizados nas salas de aula de 1.ª a 4.ª série. São assuntos e temas que ajudam a criança a compreender o mundo e suas transformações, situando-se como indivíduo participativo da sociedade. Além de permitir o desenvolvimento da agilidade e habilidades de lógica, raciocínio, linguagem, senso crítico e criatividade.

Compreendendo que o aspecto lúdico da revista contribui para o desenvolvimento dos leitores e auxilia a aprendizagem em várias disciplinas escolares, a Fundação Victor Civita, em parceria com a Abril Educação, a revista Recreio e a editora Scipione, tem produzido desde o início desse ano um material específico para ser utilizado nas aulas de ensino fundamental inicial.

O material conhecido como Recreio na Sala de Aula é bimestral. É organizado por ciclos - 1.ª e 2.ª séries corresponde a ciclo 1; 3.ª e 4.ª séries correspondem a ciclo 2 - e possui um livro do aluno e outro para o professor.

O livro do aluno contém matérias publicadas em diferentes edições da Recreio. E o livro do professor contém sugestões de aulas para todas as disciplinas do currículo elaboradas para cada uma das reportagens que está no livro do aluno. A elaboração das aulas está a cargo de diferentes especialistas convidados, e a coordenação pedagógica é feita por duas consultoras pedagógicas ligadas à Fundação.

Além do papel e nanquim

Apesar de tantos anos de sucesso, a Abril jovem esquece - e faz com que seus leitores mirins esqueçam - que no mundo de verdade, infelizmente, não é como um conto de fadas utópico e enganoso onde todos "viveram felizes para sempre". A realidade não se limita a vitórias e super poderes e, sim, a uma seqüência de super esforços e super ações que façam do seu mundo um lugar melhor.

Não vivemos num imenso parque de diversão ou num circo de gargalhadas, mas num dia-a-dia que requer dedicação e persistência. Em vez de produzir jornalismo encantado, de faz de conta, deveria-se lembrar das grandes massas que sentem nos pés as pedras que lhes esperam pelo caminho. O mundo não precisa mais de super-homens, mas de super-humanos.