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Atrevimento conservador

Jeanne Moura 

A revista interage com o leitor. São publicadas cartas com pedidos de matérias específicas, comentários em geral e desabafos, como por exemplo uma garota que reclama da melhor amiga que se apaixonou e abandonou a amizade de ambas; ou outra de 12 anos que se apaixonou por um rapaz de 21 e escreve pedindo uma força da Atrevida, que age como uma espécie de "melhor amiga", moderna e que está sempre certa. Esses conselhos, por incrível que pareça, não fogem tanto do conservadorismo pregado pela maioria dos pais. São dicas "extremamente calculadas", com a intenção de passar o mais correto, ou seja, o mais próximo da opinião dos pais com uma conotação de atual, sem ser careta. 

A revista foi lançada em 1994 e se tornou líder da categoria rapidamente. É a preferida entre as adolescentes de 10 a 19 anos dentro das classes A e B de consumo. Muitos garotos também fazem parte do público leitor da revista. Várias seções são repletas das opiniões deles. As repórteres são tidas e tratadas como grandes amigas, recebem e-mails e cartas. Em resposta a carta de um leitor, Atrevida afirmou: "Nós, da redação, adoramos saber que tem menino que também curte o nosso trabalho."

Os adolescentes demonstram ter muito carinho pela equipe da revista. E quase idolatram o periódico: "Beijão para todos da redação e para todas as leitoras e leitores que crescem e fazem da Atrevida a melhor revista do mundo para os jovens", escreveu o leitor Bruno Lima. "É a melhor revista que eu já vi até hoje", enfatiza uma leitora por e-mail. Adolescente também sabe ser crítico: "Vocês erraram na edição 127...", reclama Jacqueline do Carmo. Ou mesmo críticas-sugestões como, por exemplo: "Essa é quarta vez que escrevo e não vi minhas mensagens publicadas na revista, e o pedido é (...) gostaria de uma capa com a Britney Spears".

Alguns testes seriam desnecessários, como por exemplo "Que tipo de ficante você é?". Mas, num geral, a revista tem dado boas diretrizes. "Meu bem, calma lá", é uma reportagem que conversou com as garotas sobre "namoradinhos espertinhos", e aconselhando a não permitirem certos atrevimentos dos namorados. Com uma linguagem totalmente direta, sem rodeios recomendou que elas deveriam dizer "na boa que não se sente preparada para transar". Na edição do mês das mães, elas foram contempladas com a reportagem "Manhêêêêêêê!!!", contendo dicas que mostram "como os filhos podem viver melhor com mães de vários tipos: descolada, estressada, reservada...". 

Dessa maneira a Atrevida agrada ambas as partes. A dos filhos que não gostam de ser santos e dos pais tidos como caretas.