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Quebrando
tabus ou valores?
Bruna Marques
Vivemos sobre a égide da informação. Essa tem que ser disseminada de diferentes formas, para os diferentes públicos. E nessa corrida frenética pela notícia o público jovem não pode ficar para trás. Pensando nesse público promissor, foram criados os suplementos
teens.
O Folhateen, caderno semanal do jornal Folha de S.Paulo, nasceu com esse
objetivo: informar e entreter. A grande incógnita é se esse veículo está realmente fazendo o seu trabalho de informar e formar a nova geração. O
Folhateen foi criado em 1991, primeiro em formato standard, passando depois para formato tablóide.
Algumas transformações editoriais foram sentidas durante esse período, já que cada editor imprimiu sua linha de condução
no caderno - uma vez que a pauta é muito ampla e permite uma flexibilidade muito grande a cada equipe. Em 2004, a editoria foi assumida por Sylvia Colombo. "Tenho tentado fazer um caderno mais voltado as
questões mais próximas do dia-a-dia do jovem urbano, além de dar mais atenção a
temas cada vez mais presentes em sua realidade, como a internet e temas
ligados à globalização".
Hoje, a equipe é composta por Sylvia e dois repórteres que recebem a colaboração de outros profissionais. São abordados temas como tecnologia, internet, músicas, livros, filmes, saúde, drogas, sexo, comportamento, meio ambiente e esporte. Além de uma linguagem superjovem, utilizando termos como "nipe", "queimar o filme", "pessoas
cool", o caderno tem uma diagramação atrativa com reportagens pequenas e bem divididas nas páginas para não cansar o leitor.
Como vemos, essa mídia jovem que elabora seus discursos pensando no receptor
adolescente vem vencendo resistências, rompendo com tabus e tratando de temas relevantes. Mas é preciso, além disso, saber conciliar linguagem
sedutora e a informação consistente e reflexiva. Posição que o
Folhateen não assume. Quando não aborda os temas com superficialidade, não demonstra nenhuma opinião crítica sobre o assunto.
Sexo com instruções
Com uma linha editorial anticonservadora, o suplemento é a favor do sexo liberal e sem escrúpulos. "Sexo com manual" foi o título da coluna de televisão (07/03/05). A matéria aludia ao novo programa do GNT que dá toques de anatomia feminina e ensina a encontrar o ponto G. No final da matéria, a repórter insinua que os brasileiros não perdem tempo com leitura de manuais e vão direto ao assunto.
Em "02 Neurônio", outra coluna da mesma edição, o sexo é comparado ao simples ato de comer pizza. As ilustrações também não são nada "recatadas". Tratando de sexo, coloca-se logo um desenho de um rapaz com roupa íntima, cheio de hematomas. Só insinuante ou também estimulante?
E outros assuntos
Quando o assunto é drogas, por que não ilustrar a matéria com um jovem "descolado"
fumando? Com fotos nada didáticas, os articulistas apenas apresentam o problema fazendo uso de uma linguagem simples, direta e de um formato que, de certa forma, seduz o leitor. São matérias que apesar de ser rica em fontes e detalhes não colocam uma posição firme e clara sobre o assunto. Não criticam nem apóiam, são omissos.
E para provar que os tabus estão sendo quebrados, o homossexualismo também
é tema. O veículo jovial fez uma série de reportagens com alunos homossexuais e suas agruras quando tropeçam com a discriminação em sala de aula. O tema gerou tanta polêmica que o deputado Nilmário Miranda (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, apresentou um projeto de lei
que define como crime a discriminação por cor, etnia, raça, religião ou origem. É, realmente um veículo de comunicação tem o poder de mexer com a sociedade. Pena que esse sirva somente para mexer e não para burilar a sociedade.
A música também é o forte do caderno. Mas o foco não são as nacionais,
mas sim as bandas de rock internacionais. Muitas delas fazem apologia a droga e ao
sexo. Análises críticas de CDs e Dvds são feitas constantemente. Aliás, entreter também faz parte do objetivo. Às vezes sobra uma crítica para a música
brasileira - deve ser "chique" só gostar de rock internacional.
Mas nem tudo está perdido. Uma vez ou outra temas como profissões, feiras de engenharia,
solidariedade e esportes mostram sua eficiência e o verdadeiro papel do jornal em ensinar e estimular algumas atividades sociais, intelectuais e esportivas entre os jovens.
As dificuldades dos deficientes físicos em se locomover pelas ruas brasileiras foram abordadas na edição de dezembro de 2004. De forma superficial, mas foi. Segundo o professor Jacques Vigneron as matérias dos suplementos
teens pecam por não se preocuparem devidamente com o seu papel de educador. "Cabe aos meios de comunicação papel vital na construção de um debate qualificado e propositivo, que possa instrumentalizar adolescentes, jovens, famílias e escolas para mudanças efetivas de comportamento". Será que com essa linha editorial de valores o
Folhateen possui essa visão de educador? No futuro nós veremos.


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