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A força da juventude

Paulo Henrique Mondego 

Você já imaginou uma revista em que as pautas são discutidas por um corpo editorial com mais de 50 jovens? Que não tem fins lucrativos, pois foi criada por uma ONG? Além disso, conta com o apoio institucional do Unicef, Unesco, Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP) e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi)? Acredite ou não essa revista existe desde março de 2003.

Com o objetivo de unir os jovens de todo o Brasil em torno de alguns princípios como a defesa dos direitos humanos, a educação, a paz e a solidariedade entre os povos, a revista Viração foi criada como um projeto social impresso pela ONG, Associação de Apoio a Meninas e Meninos da Região Sé. Toda a renda é revertida para a sua produção e para um fundo que tornará mais tarde o periódico em uma Organização Não-Governamental. No mundo capitalista em que vivemos tudo isso parece utópico, mas é verdade.

Viração é um veículo voltado para o público adolescente com faixa etária entre 14 e 18 anos que estudam em escolas públicas - sem excluir outras classes sociais. Por não ter fim lucrativo, sua distribuição é restrita a assinaturas individuais ou coletivas, patrocinadas por escolas estaduais, municipais, particulares, movimentos sociais e ONGs que defendem os direitos da criança e do adolescente. E por isso, é tão diferente das outras, pois "o jovem tem voz e vez sendo tratado como cidadão e não como consumidor".

A revista é editada por uma equipe de jornalistas e pedagogos ligados a assuntos relacionados a crianças e adolescentes. Quem lapida esta jóia é o jornalista Paulo Pereira Lima. Ele explica que a criação da revista foi idealizada devido a pobreza da qualidade de publicações para adolescentes.

Conteúdo


Quem ler Viração fica por dentro dos acontecimentos do Brasil e de outros países. Os direitos do jovem cidadão, a luta pelos direitos humanos, a educação para a paz e solidariedade entre os povos são assuntos valorizados nas páginas da revista, além de trazer reportagens sobre ética, saúde, meio ambiente, pluralidade cultural, educação sexual, trabalho e consumo.

Dividida em várias seções, as matérias e artigos buscam levar o jovem leitor a entender assuntos de seu cotidiano que muitas vezes não são debatidos em casa e na escola. Assim, o veículo assume um caráter educativo e formador de opinião, algo tão necessário na fase da adolescência.

Para atingir melhor seu objetivo, Viração faz com que os alunos coloquem a mão na massa. Na edição número zero, por exemplo, a revista publicou uma entrevista feita pelos estudantes de colégios municipais de São Paulo com o crítico literário Antônio Cândido. Não se vê isso em qualquer lugar. Sem contar o conteúdo cultural que é divulgado na revista. Duas seções são dedicadas à música e filmes provocando o interesse do jovem da era do "vazio de conteúdo" a buscar conhecimento cultural indispensável.

Tanto conteúdo de qualidade só poderia produzir bons frutos. Mesmo sendo um veículo aparentemente restrito, Viração alcançou seu humilde espaço no mercado de publicações por ter atributos que dificilmente se encontra em revistas voltadas para o público jovem. 

Prova disso são os prêmios que o periódico ganhou. Em janeiro de 2004, o Prêmio de Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria de Cultura de São Paulo foi concedido entre os mais de 600 projetos concorrentes. No mesmo ano, ficou entre os semifinalistas do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo disputado por Capricho, Revista MTV e encartes juvenis do jornal Folha de S.Paulo e Correio Braziliense. Sem contar o apoio dos leitores e dos próprios integrantes do Conselho Editorial Jovem que relatam a importância dos trabalhos desenvolvidos. 

Outro destaque da Viração foi a primeira edição que alcançou uma tiragem de 10 mil exemplares, tendo como matéria de capa a cobertura do Acampamento da Juventude montado durante o 3º Fórum Social Mundial em Porto Alegre. E matérias internacionais sobre a situação do povo iraquiano, em que a autora esteve no Iraque e contou como vive o povo iraquiano sob o embargo econômico americano. 

No entanto, a revista pede clemência para não cair no esquecimento. Pelo fato de depender de assinaturas, principalmente de escolas públicas, seu caixa está no vermelho devido a um calote da prefeitura de São Paulo que não pagou o valor referente as 1.332 assinaturas anuais. Porém, "sua força está em ser feita pelos jovens" e, por isso, não será esquecida tão cedo.