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Jornalismo
de esquerda
Fernando Silva
Como dito em edições anteriores
do
Canal, a mídia é uma das maiores formadoras de opinião. Tem poder para eleger um candidato à presidência, como tem para o arrastar ao
impeachment. Usa sua força para capturar bandidos. Determina como deve ser o estilo de vida das pessoas. Dita o que será moda. Inventa novas linguagens, novos tipos de alimentação, novos horários. Aproveita-se desse poder para alcançar seus interesses. Quer sejam
bons ou maus para a sociedade.
A revolução tecnológica dos últimos anos deixou a população do mundo inteiro estática diante de seus novos feitos. Os grandes jornais, as revistas, televisões, rádios, mostraram em suas falas o ciclo revolucionário desse "novo mundo".
Há, contudo, um único porém: esqueceram de inculcar nas pessoas a importância de preservar o meio ambiente em que elas vivem. Talvez porque nem eles mesmos lembram que viviam num País verde.
Na verdade, a ficha ainda não caiu totalmente. São poucos os veículos de informação que têm em seu espelho uma editoria de meio ambiente ou ecologia. Quando mostram alguma coisa do assunto, é porque alguém morreu ou a devastação foi muito grande
(um gigantesco vazamento de óleo na baía de Guanabara, grandes desmatamentos na
Amazônia ou algo de seus interesses).
Mas, ainda há esperanças. Aos poucos, o fator ecológico adentra as páginas do mundo da comunicação. Muitas vezes só por questão capitalista, como a notícia da nova alternativa de combustível, o biodiesel - a maioria dos jornais e revistas do País enfatizou a economia no bolso do consumidor
e pouca importância deram ao fato de que será bem menos poluente que o petróleo. Mas, às vezes, usam seus poderes para o bem da sociedade.
Há apenas 11 anos surgiu uma revista que parece disposta a mudar conceitos dentro do jornalismo. Com relação ao tema do combustível alternativo, a revista
Carta Capital enfatizou o fato de o biodiesel ser uma alternativa para melhorar o meio ambiente: "O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar reduz em quase 90% as emissões dos gases causadores do temido efeito estufa e, nesse quesito, supera todas as alternativas defendidas por outros países...".
Carta Capital, apesar de ser um veículo bastante político, dedica um espaço razoável à ecologia em comparação com suas rivais. Na maioria das edições, o meio ambiente tem um espaço - pequeno, mas tem. O assunto é abordado mais na questão de conscientização. O que já é uma grande vitória. Como de costume, a
Carta é sempre a "esquerdista" das principais revistas do Brasil.
Enquanto a maior revista do País, Veja, preocupa-se mais em destacar a parte capitalista dos recursos naturais, o semanal dirigido por Mino Carta dá
dicas de como manter e preservar essas fontes naturais. Na edição de primeiro de junho de 2005, uma entrevista com a coordenadora de projetos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Ane Alencar, mostrou como conter o desmatamento no pulmão do Brasil.
Notícias como essas são cada vez mais comuns na revista Carta
Capital. Ainda é pouco, comparado ao estado em que se encontra o meio ambiente. Mas, talvez seja o início de um novo, útil e bom jornalismo. Mino Carta diz, sem nenhum receio, que o jornalismo praticado na revista é excepcional: "Se você comparar a
Carta Capital com o resto da imprensa brasileira, dá pena. Isso eu sei porque tenho colegas estrangeiros que confirmam claramente. O jornalismo brasileiro é muito ruim. E isso acontece porque os jornalistas não acreditam naquilo que
fazem."


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