editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil 
olho vivocanal do leitor | e-mail | expedientenostalgia |

anteriores
| próximas edições |
inicial


Ativistas disfarçados

Danúbia Guimarães 

De um lado, grileiros, políticos e até mesmo americanos, loucos por um pedacinho de terra fértil. Do outro, um governo que se esforça (ou nem tanto) para defender o pouco que resta do "celeiro da biodiversidade mundial", mais conhecida por floresta Amazônica. Esse é o foco que o periódico Folha de S.Paulo emprega para abordar os temas relacionados ao meio ambiente, ou pelo menos o que resta dele.

A Folha mantêm uma posição "salvem nossas florestas e acordem o presidente, estão assaltando nossas matas". Ela utiliza matérias de jornais renomados internacionalmente, como o New York Times, para expressar sua denúncia, e citações do ministro Tony Blair para concretizar suas indignações. 

Exemplo disso é a matéria publicada em 1 de junho, intitulada "New York Times ataca devastação recorde". Pelo costume em "bater de frente" com o governo, a Folha encontrou um ótimo aliado para fazer suas críticas ferrenhas. Na matéria, o jornal recontava o editorial de seu companheiro internacional que tratou de fazer o "serviço sujo" mandando recado dito para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O NYT dizia: "Ele (o presidente) e a oligarquia agrícola de seu país têm de perceber que a floresta tropical não é uma comodidade que pode ser explorada para o proveito pessoal".

Na mesma matéria, o jornal dessa vez assume o papel social de denúncia, mostrando aos leitores que o Estado campeão em desmatamento é o Mato Grosso, na pessoa de seu governador Blairo Maggi. O político possui uma plantação de soja na floresta amazônica e diz não se importar com o desmatamento causado por ele.

Ainda na linha "prestação de serviços", o jornal divulgou numa matéria do dia 30 de maio, o Projeto de Lei que dará concessões de terras públicas na Amazônia com a tentativa de acabar com as chamadas "grilagens de terra" no local. Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva - e provavelmente para a Folha - essa seria o único modo de controlar a exploração predatória de madeira, outra das principais causas para o desmatamento.

Já em matéria publicada em 31 de maio, intitulada "Projeto preliminar de Tony Blair para efeito estufa carece de metas", a Folha deixa claro a sua decepção com o documento em desenvolvimento. Para tanto, aproveita-se da citação da ONG "Amigos da terra" para dar o recado: "O documento emitido por Blair foi uma oportunidade perdida". Nele, não havia citações sobre questões de relevância indiscutível para o meio ambiente, como o aquecimento global e a redução de dióxido de carbono emitido sobre a Terra.

O que parece é que pelo menos na semana do meio ambiente, a Folha pode respirar tranqüila e sem remorso. Durante os últimos dias, cumpriu direitinho seu papel de imprensa denunciando escândalos e "sem vergonhices" com diplomacia de verdadeiros lordes ingleses. Sem dramas ou apelações, dignos de quem acima de tudo, são brasileiros e amantes de sua terra.