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A natureza e o papel do Estado

Sandro Heringer 

Domingo, 5 de junho, o mundo comemorou o Dia do Meio Ambiente, ou melhor, choramingou pelo esgoto derramado, pelo verde desbotado, pela fumaça expelida no ar e que dificulta ainda mais a visão daqueles que já não querem enxergar o óbvio: o planeta pede socorro.  

Enquanto a incansável organização não-governamental WWF (em português, Fundo Mundial para a Natureza) marcava um protesto no principal ponto turístico da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor, com duas gigantescas esculturas infláveis em forma de torneira e balde para chamar a atenção para a falta de água tratada no Brasil, e no mundo, um dos maiores jornais do País, O Estado de S.Paulo, destinava duas páginas das 148 publicadas na edição dominical para abordar o tema meio ambiente.

O anúncio comemorativo do papel reciclado Chamex, da International Paper, veiculado no mesmo dia, ocupava mais espaço do que o tão esquecido jornalismo ambiental, pouco praticado pelos veículos de comunicação.

Mas as duas únicas matérias do dia, embora pouco evidentes, mostravam uma grande preocupação com o "pulmão do mundo", a Amazônia. A primeira foi sobre a corrupção dentro do Ibama, com uma entrevista com o presidente da instituição, Marcus Luiz Barroso Barros, e a outra um alerta sobre o avanço das cidades sobre a Amazônia Legal, que quase triplicou entre 1980 e 2000. 

Analisando o jornalismo ambiental pelo enfoque diário dado somente a ecologia, botânica, programas de conservação, geologia, zoologia e relatando ou denunciando crimes contra a natureza, o jornal paulista se redime, se comparado a outros não especializados.

O Estadão possui uma editoria fixa especializada sobre vários temas que aborda assuntos diferentes a cada dia, como educação, saúde, ciência, bem-estar e o bem lembrado meio ambiente, que sai todas as quintas-feiras com um espaço que varia entre uma a duas páginas. 

E ainda possui no seu time de colunistas o respeitado jornalista Washington Novaes que, além de supervisor geral do Repórter Eco e consultor de meio ambiente da TV Cultura -SP, foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Dirigiu vários documentários, entre eles a premiada série Xingu. Todos esses trabalhos ligados à defesa do meio ambiente. 

Embora não seja equivalente a agressão que o meio ambiente sofre diariamente no País e no mundo, o Estadão vem praticando um jornalismo que, no mínimo, se preocupa em dar um espaço a questões ambientais, cumprindo o seu papel obrigatório. Bom, isso enquanto tiver papel.