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Tablóide verde

Caroline Ferraz 

Um compromisso solene. "Fazer um jornal que discutisse os temas ambientais e pudesse ajudar na luta por um futuro comum mais sadio. Um jornal que lutasse pelo resgate da cidadania, pelo uso racional dos recursos naturais, pela educação e conscientização dos habitantes desse planeta". Foi com este objetivo que um grupo de jornalistas se uniu em junho de 1989, e dali nasceu a Folha do Meio Ambiente.

O jornal surgiu de modo inusitado. Foi no Seminário Internacional de Recursos Externos em Projetos de Meio Ambiente. Um grupo de jornalistas, liderados por Silvestre Gorgulho, produziu um tablóide de 16 páginas, que seria encartado ao Jornal de Brasília e distribuído aos participantes do seminário. O veículo fez mais sucesso do que o seminário e, 15 dias após o seu "lançamento", 321 leitores fizeram pedidos do jornal que então passara a existir.

O jornal recebeu apenas apoio de seus assinantes e das parcerias publicitárias. Hoje, a Folha do Meio Ambiente circula, com tiragem de 75 mil exemplares, em vários estados brasileiros e no exterior. No Brasil, os estados de São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal, são os maiores clientes. Estudantes, agrônomos, biólogos, advogados e centros de pesquisa constituem o público-alvo do jornal. 

Trajetória e tendência

O jornal mensal aborda propostas atuais, temas polêmicos e notícias voltadas ao meio ambiente e sua preservação. O objetivo é conscientizar os leitores e aqueles que usam a natureza para benefício próprio, sendo um veículo de alfabetização ambiental. Mais do que tratar de denúncias relacionadas ao meio ambiente, o jornal se propõe a explorar como o uso inteligente da natureza está relacionado ao cotidiano. Dicas de economia dos recursos naturais, ecoturismo com responsabilidade, potencial econômico da ecologia, certificação ambiental, entre outros.

Apesar de modesto em termos de circulação nacional, o veículo é representativo quando se leva em conta o segmento que atinge. Vale destacar também que a Folha do Meio Ambiente surgiu antes da Eco-92 no Rio de Janeiro, evento que contribuiu muito para o amadurecimento do jornalismo ambiental no Brasil. Dizer que o jornal não tem interesses econômicos só porque nasceu de maneira despretensiosa, seria ingenuidade. Porém, sua história até aqui bem sucedida aponta para um mercado, mas acima de tudo, para uma necessidade crescente: a educação ambiental.