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Cobertura evasiva

Paulo Henrique Mondego 

Ninguém agüenta mais ouvir, ver e falar de mensalão, malas de dinheiro, cuecas com dinheiro e toda esta roubalheira que se instalou no governo atual. A verdade é que o esquema de José Dirceu e seus comparsas parece ter sido tão grande e sem precedentes na história, que o Brasil inteiro ficou pasmo. Até os parlamentares, acostumados com escândalos e CPIs, ficaram estupefatos ao descobrirem que o PT bancou a campanha presidencial com dinheiro de caixa dois regularizado nas contas do marqueteiro Duda Mendonça.

A imprensa também ficou surpresa com tantas notícias sobre escândalos e dinheiro sujo. Tão surpresa, que muitas vezes não parou para refletir no que estava levando ao público brasileiro. Quem está envolvido com a imprensa sabe que, nem sempre, ou, na maioria das vezes, o que vale é a verdade como ela realmente é. O interesse do patrão vem antes da própria verdade. Ele é verdade.

A cobertura da crise é um belo exemplo e uma rara chance de análise dos veículos de comunicação brasileiros. Há os que metem o pau nos políticos, enquanto outros preferem ser mais cautelosos. Pior são aqueles que induzem o público a crer numa versão com meias verdades, Há também aqueles que mostram tudo, mas não esclarecem nada. É o caso da revista IstoÉ.

Diante de todo este circo que virou a cobertura da crise, a revista IstoÉ assume uma posição omissa e evasiva. Tudo indica que o PT, sob o comando de José Dirceu, transformou-se no partido que se vendeu ao esquema de corrupção instalado na política brasileira. Mais do que isso, parece ter se transformado na velha prostituta que prega castidade. Isto a revista não nega, mas tenta encobrir, preservando a imagem do presidente Lula.

Desde que começou a crise, a revista IstoÉ, assim como as outras, noticiou o comum. Mostrou o que todas mostraram, mas com uma leve diferença: Lula era a vítima. A edição de 13/07 apresenta Lula como um presidente traído pelos seus "companheiros" de militância e de governo.

No frigir dos ovos, o cerco vai se fechando em torno do presidente quando o publicitário Duda Mendonça declara abertamente na CPI que recebia dinheiro de caixa dois do partido. Logo Lula, que se julga baluarte da ética e honestidade da política brasileira. A partir daí, fica difícil defender um político que banca a campanha com dinheiro de origem pelo menos duvidosa.

O fato é que o presidente se calou por muito tempo. Ainda continua calado como se estivesse de fora deste lamaçal de escândalos. E a revista IstoÉ insistindo em apresentá-lo como vítima da corrupção que destruiu seu governo e acabou com qualquer chance de recuperação. Ao perceber que não dava mais para sustentar uma imagem de homem santo e bom, a revista passa a mostrá-lo como um presidente cheio de problemas no seu governo.

Está na hora de mostrar os fatos como eles são. O povo não merece ser enganado pelo governo, muito menos pela imprensa que deveria ser porta-voz da verdade. Chega de roubalheira, chega de coberturas evasivas que não informam nada e confundem a opinião do brasileiro: a única vítima nesta história.