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Mesada pra lá de gorda!

Caroline Ferraz 

Nos últimos dias o assunto tem sido o mesmo: mensalão, CPI, corrupção, e impeachment. Esses são alguns dos temas que atualmente fazem parte da vida cotidiana do brasileiro. E pelo visto, não será a mais fácil das crises governamentais a ser resolvida.

Semanas atrás o povo não tinha certeza se o dinheiro público estava sendo bem investido. Porém, nos últimos dias, a mídia deixou claro que grande parte do dinheiro público está servindo para fins diferentes daqueles prometidos em épocas de eleição. O escândalo refletiu imediatamente sobre os trabalhadores em busca do sustento. E não apenas destes, mas a crise chamou atenção da mídia internacional.

O jornal argentino Clarín, no princípio manteve uma posição apenas informativa. Mas com o desenrolar dos fatos, e a confirmação dos mesmos sobre a corrupção brasileira, o jornal adotou uma posição mais crítica e opinativa tratando da crise política de forma mais forte.

Em um dos artigos, Eleonora Gosman, correspondente de São Paulo para o Clarín, afirmou que "quem fosse o assessor presidencial, ele não estava acertando o prego". Opinou no discurso presidencial, chamando-o de "penoso" e lamentou que o presidente estivesse complicando a própria imagem a cada dia que passa.

"Podia-se esperar que o presidente brasileiro se mostrasse mais decidido, com mais garra"; "Esse é um fantasma que começa a corporizar-se, e não é possível pensar que se pode enfrentá-lo somente com desculpas". Convicções como estas podem ser lidas no jornal argentino Clarín, na série "Corrupción en Brasil".

Num artigo do ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, para o Clarín, ele ressaltou a ética da responsabilidade que Max Weber já exaltava: "O político sempre precisa medir as conseqüências de seus atos e inclusive dos atos praticados por terceiros graças a suas ações e omissões". Ele afirmou que "pelo menos uma vez na vida o presidente deveria meditar sobre a razão de ter sido eleito e sobre a marca que está deixando atualmente para a história".

Os parlamentares querem deixar claro que não formam uma "cova de corruptos", porém, a omissão de informações, e o mau investimento de recursos públicos confirmam os fatos e a razão da crise política brasileira. A ética foi esquecida, mas pra eles o que importa é que a mesada seja bem gorda!