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O Dia - popular ou sensacionalista? Marden Eduardo Ferreira
A análise de um jornal não é uma tarefa muito fácil, uma vez que a tendência à descartabilidade é cada vez maior. Mas existe algo que pode ajudar neste sentido. É o fato de que a política editorial de um jornal é constante, portanto, a análise sistemática de suas edições pode, no mínimo, denotar se é sensacionalista ou não.O jornal carioca O Dia tenta, sem dúvida, alcançar o maior número de pessoas possível, visto que seu conteúdo é escrito de maneira simples, facilitando a compreensão por parte dos leitores. É um jornal que está preocupado em transmitir as notícias de maneira clara e objetiva, sem muita interpretação, o que proporciona ao leitor a possibilidade de uma interpretação própria. Tendo em vista esses pontos, conclui-se que o jornal é de conteúdo popular e não sensacionalista. O que deve ser levado em conta é que os veículos de comunicação que se consideram sérios, taxam os veículos mais populares como sensacionalistas justamente por oferecerem um conteúdo mais acessível ao povo. Isso acaba se tornando verdade absoluta e grande parte das pessoas e meios de comunicação, influenciados por essa idéia, apontam também estes meios como sendo sensacionalistas. Mas o que ocorre na verdade, é que estes meios são mais populares e por isso se faz necessária a utilização de termos, títulos, textos e fotos que estejam ao nível da compreensão de seus leitores.
Outra vantagem dos jornais populares que pode ser facilmente percebida é o preço cobrado por cada exemplar. O jornal
O Dia custa apenas 80 centavos, possibilitando um número maior de leitores em relação a outros jornais que possuem preços mais altos. Dessa maneira, o consumidor pode ter acesso à informação sem gastar mais por isso.Este jornal realmente apresenta títulos chamativos como: "Tiroteio em bar mata um e fere cinco". Mas esta é uma forma de alertar os leitores sobre o problema da violência no Brasil de maneira que eles possam entender. Os textos também possuem muitos detalhes que não são publicados em outros jornais, como o caso do pára-quedista que atingiu duas participantes de um comício do candidato Serra. Para os leitores mais simples, este detalhe é mais importante do que uma pesquisa de campanha eleitoral, por exemplo. Pode-se concluir que este é um jornal preocupado em ser uma alternativa diferente para uma população vítima da falta de consciência crítica gerada pela educação precária. Mas pode ser chamado de sensacionalismo se isso for mais cômodo aos críticos.
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