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Enfim, um jornal sério
Dayse Bezerra
Em 22 de outubro de 1981, Mogi Mirim comemorava seu aniversário e, em ritmo de festa, recebia um presente, o mais novo jornal da região, cujo nome trouxe seu significado,
O Impacto. Um trissemanário contendo matérias no âmbito político, administrativo e socioeconômico, vindo a somar assuntos de interesse popular e priorizando um conjunto de rígida conduta ética e imparcialidade nos fatos noticiados.
O seu concorrente A Comarca, de peso intitulado "patrimônio histórico" em
Mogi Mirim, não amedrontou o bebê que nasceu com vontade de crescer. Bom, isto é o que todos os jornais almejam: crescer. Porém,
O Impacto buscou ir além, pois mesmo com a concorrência forte, que hoje já se tornou tradição centenária na cidade, aceitou o desafio e lutou pelo seu espaço nas bancas, nos olhos dos mogimirianos, no bolso dos consumidores e principalmente dos anunciantes. Logo cedo mostrou sua total independência e credibilidade jornalística, conquistada aos poucos na região.
A escolha do nome O Impacto não foi à-toa, e sim mais um meio atrativo de chamar a atenção na hora de conquistar os leitores. Pode parecer ser mais um jornal sensacionalista, mas para quem pensa que vai encontrar aquelas manchetes famosas do tipo "espreme que sai sangue", suas manchetes evitam o "fait divers", apresentando fotos e matérias sérias, mostrando os dois lados da história de um jornalismo mais ousado.
Os fundadores do jornal formavam um trio "parada dura" composto por Santo Rottoli, já falecido, e idealizador do nome
O Impacto, que também trabalhou por muitos anos no jornal concorrente; Rui de Melo Mota, atualmente desvinculado do jornal e editor do site
Cosmo Online; e o diretor-geral que permanece até hoje em sua direção, Mauro de Campos Adorno Filho. Juntos buscaram dinamizar uma leitura com notícias em "destaques" factuais, cotidianas e artigos de opiniões.
Destaques e mais destaques. Mesmo não tendo o foco principal para notícias sensacionalistas, o jornal não tem como fugir totalmente delas. Afinal,
O Impacto procura atender a todos os gostos. E as notícias mais visadas pelos leitores são as páginas de Polícia. "O público sensacionalista gosta de desgraça", confirma Paulo Rogério Tenório, ex-editor-chefe de
O Impacto.
No primeiro momento em que surgiu foi muito bem-aceito na cidade, mostrando independência, personalidade e opinião na linha editorial, que mantém de praxe até hoje a página quatro com a coluna específica para opiniões ligadas às manchetes do jornal. Começou com circulação semanal, depois passou a ser bissemanal e hoje é trissemanal, circulando todas as terças, quintas e domingos. No início da década de 90, sua impressão mudou de linotipo pra
off-set.
Em 2001, a capa e a última página de esportes receberam um colorido. Elas incorporaram a encadernação, contendo no primeiro caderno Política, Cidades e Esportes. O segundo caderno se tornou exclusivo de Economia e o Classimais um caderno só para os classificados. Aos domingos, rodava o tablóide especial de Cultura.
Atualmente, o corpo de profissionais do jornal é composto de quatro repórteres, um editor-chefe, um fotógrafo, o coordenador editorial Valter Abrucez, acumulando também o cargo de editor-chefe da
Gazeta Guaçuana, pertencente ao mesmo grupo editorial de O
Impacto. A direção geral se encontra nas mãos de Mauro de Campos Adorno Filho, com experiência anterior na
Folha.
Os leitores mogimirianos de O Impacto são atraídos por capas coloridas e criativas, fotos jornalísticas e manchetes quentes. Mostrando ousadia na sua diagramação, seu corpo de texto possui um diferencial com tipos maiores que outros jornais tradicionais, o que facilita a visualização e a leitura. Sua preferência maior de consumidores é a mais elitizada. Nas bancas, sua venda aos domingos sai com uma tiragem de oito mil exemplares. Às terças e quintas, chega a um número aproximado de cinco mil exemplares.
Edições extras do jornal foram publicadas em momentos marcantes, tais como a morte de Tancredo Neves e a cobertura completa do time de futebol do Mogi Mirim quando este tentou o acesso para a primeira divisão no campeonato paulista de 1985.
Sua publicidade é a mais cara da região e com poucos anunciantes em relação à rival
A Comarca, mas o suficiente para cobrir a sua circulação. Outra vantagem de O Impacto é ter o seu próprio parque gráfico. Além disso, ele imprime outros jornais regionais.
Segundo o repórter Paulo Henrique Tenório, setorista do caderno de Polícia e de Esportes, estas editorias são "um carro-chefe com retorno muito grande". Tenório explica que o "o jornal se preocupa com o futuro da cidade, promovendo debates e discursos políticos", abrindo um espaço semanal gratuito para os candidatos de Mogi Mirim que disputam cargos políticos. Tal atitude propicia os períodos eleitorais no qual
O Impacto mantém uma postura imparcial a qualquer tipo de sigla partidária.
Ao completar 23 anos de existência sem interrupções em sua circulação,
O Impacto já pode se considerar um jornal de grande preferência regional em Mogi Mirim, com um jornalismo sério e que sempre se preocupa em oferecer à sociedade o seu melhor. A festa de aniversário da cidade terá comemoração dupla, recebendo homenagens que serão manchetes. Para a cidade, nem se comenta que
O Impacto será todos os anos um presente recheado de destaques, ou melhor, uma caixinha de surpresas.
criação: lisandro staut |
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