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Seriedade com o público
Katianne Jouguet
As principais manchetes da semana fazem parte da temática de alguns veículos de comunicação. Não obstante, seleciona-se o que deve ou não ser divulgado. Isso acontece nas revistas de maior circulação do Brasil -
Veja, IstoÉ e Época. Todas bem conhecidas e de credibilidade, são extremamente expressivas no universo da informação.
Existe, porém, uma revista não tão conhecida e popular como as citadas anteriormente, mas que já causa preocupação pela maneira indiscreta e direta de expor as notícias. A revista
Carta Capital não tem mais de 35 anos de existência ou uma tiragem muito alta, mas pode ser considerada ou mencionada como um importante veículo de comunicação. Logo, é necessário analisar este impresso à parte para descobrir o que o torna notável.
A revista Carta Capital, fundada por Luís Carta (irmão de Mino Carta), surgiu em agosto de 1994. Inicialmente mensal, depois quinzenal (em março de 1996), e a partir de agosto de 2001 se tornou semanal. Hoje, dirigida por Mino, a
Carta Capital possui uma tiragem média de 65 mil exemplares. A Veja, maior revista do País, tem uma tiragem média de 1,1 milhão de exemplares. Isso não torna o impresso de Mino, voltado para política, economia e cultura, mais inferiorizado e retraído. Absolutamente.
Carta Capital, numa única década de existência, já coleciona títulos importantes da imprensa brasileira. Em 2001, o veículo ganhou o Prêmio Brasil de Mídia do Ano pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e essa proeza se repetiu em 2003. Neste mesmo ano, a revista foi vencedora do Prêmio Comunique-se de Imprensa na categoria Executivo de Veículo de Comunicação. Esses prêmios deixam claro que tal impresso se agrega de renomado prestígio.
Todavia, o reconhecimento da revista de Mino Carta, cujo redator-chefe é Bob Fernandes, se mostra pela sua política e linha editorial inconfundível. E a concorrência é a que sofre com a linguagem adotada pela
Carta Capital. Não só ela, mas o Bush Júnior, o Blair e outros mais que tentam burlar e inferiorizar a inteligência do cidadão brasileiro.
Diferentemente da Veja, a Carta Capital apoiou a eleição de Lula e sempre criticou o governo norte-americano. Em 12 de novembro de 2003, na sua coluna
A Semana, Mino responde a pergunta de um leitor sobre a posição partidária do impresso.
"(...) a mídia, com raras exceções, sempre serviu o poder, sem deixar de fingir imparcialidade, isenção, eqüidistância. Hoje, um ano depois da eleição, continuamos obedientes, isto sim, aos mandamentos do jornalismo: fidelidade à verdade factual, exercício do espírito crítico, fiscalização do poder. Às vezes criticamos positivamente o governo (...), às vezes negativamente."
("Esquecimentos, Halloween, Lula", 12/11/2003)
Nota-se também que Carta Capital não tem medo de criticar sua poderosa concorrente. "A revista
Veja, quarta maior do planeta, na semana passada brindou o seu público com uma rica reportagem sobre um país imaginário chamado Índia. (...)
Carta Capital, nesta edição, fala da Índia verdadeira, incluída na categoria dos emergentes, na qual também figura o nosso querido Brasil." E ainda completa. "Nada que se destine a questionar a indiscutível qualidade literária e o grau alentado de imaginações do texto de
Veja a julgar pelas afirmações de seu próprio marketing." ("Ficção, realidade,
pesadelo?", 11/2/2004)
Acusações estas verdadeiras ou falsas, vale ressaltar que o autor destas (Mino Carta) foi o fundador de alguns jornais e revistas, inclusive a
Veja. E declarou em seu artigo para o seu veículo: "Com orgulho afirmo que
Carta Capital, de todas as publicações da minha existência de diretor, iniciada há 43 anos, é a mais original, aguda e bem-acabada." (22 de outubro de 2003)
Verdadeiramente se a compararmos com a Veja, serão encontradas mais disparidades. A
Carta Capital tem mais texto que publicidade. Cerca de 80% apenas de texto. A
Veja tem aproximadamente 50% de espaço voltado para a publicidade. Esta investe mais em imagens impactantes e procura falar de assuntos mais sociais (comportamento, entretenimento). Isso vale também para outros veículos, como a
Época e IstoÉ. Esta última, mais vagamente.
Ao contrário, Carta Capital não apresenta muita atratividade em sua leitura. Há muito pouca imagem em comparação às outras revistas, e muitos assuntos de economia e política. Ao mesmo tempo, desperta o senso crítico. Logo, acontece o de sempre. As pessoas mal lêem uma
Veja, quanto mais um impresso voltado para áreas que deveriam ser de interesse público. Espera-se que, com o tempo, a
Carta Capital se torne mais notável e expandida.


criação: lisandro staut |
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