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O “QueÉ” informação

Thiago Campossano

Como lidar com as notícias e acontecimentos que outros veículos publicam? A filosofia do veículo interfere na escolha do assunto de capa, ou o que vale é a concorrência e circunstância? Talvez haja mais pontos que influenciam na decisão dos temas abordados, entretanto, não se pode fugir às particulares de cada veículo. É possível observar fazendo uma análise sobre a revista IstoÉ em relação a seus concorrentes: Veja e Época.

Na edição de 12/5, a revista IstoÉ trouxe como capa dois assuntos: "Pra cima, Brasil" e "Invasão Brasileira", ambos tratando de um Brasil de maneira otimista. O primeiro tema se desenvolve pela citação do humor, da autoconfiança e da fé como fatores essenciais para que o brasileiro possa superar o baixo-astral em que se encontra o país. O segundo, revela a Mega Exposição do Brasil realizada por uma loja em Londres, mostrando uma supervalorização do Brasil no exterior. Já a concorrente Veja, teve como matéria de capa "O ex-prefeito Paulo Maluf: uma fortuna no exterior". Assunto apenas citado dentro de uma matéria política da IstoÉ, e a revista Época explanou "Os Herdeiros do Prozac" (a respeito do novo remédio antidepressivo), assunto citado em pequena matéria na IstoÉ.

Não é possível realizar uma leitura completa das três revistas, e não sentir o espírito brasileiro característico quando se fala em política. Em todas elas, os fatos políticos são apresentados como furto e corrupção. Na seção "Brasil", a predominância de temas é o "Político Nacional" sempre com a dose de abuso do poder. Como pode se falar em pontos positivos de um governo quando os maiores veículos semanais do país só o retratam de forma negativa? 

Ainda analisando os pontos em comum entre as revistas, a IstoÉ se demonstrou mais sensacionalista ao manipular dois importantes assuntos na mesma edição - característica percebida principalmente nas imagens. Na matéria referente ao torturante tratamento a civis iraquianos por parte dos soldados norte-americanos, a IstoÉ exibiu fotos mais chocantes que a Veja e Época. Porém, o texto não ficou fora dessa característica.

Ao ler tal matéria, percebe-se a forma sensacionalista de apresentar os fatos. Há também o caso de contaminação de AIDS entre atores de filmes pornôs envolvendo a brasileira Bianca de Biaggi, em que a imagem da própria atriz é colocada mostrando os seios descobertos. Outra vez o texto não escapa dessa peculiaridade. Claro que esses são fatores comuns nesta sociedade, entretanto, isso não muda a realidade do sensacionalismo como forte ferramenta.

Revistas como a IstoÉ possuem um conteúdo bem recheado para uma semana. Os temas não podem ser repetitivos como ocorre com a política. Por isso, é preciso que assuntos aleatórios preencham espaço e chamem a atenção, trazendo ao veículo a impressão de um grande suporte informativo. Na verdade, tais notinhas, como são conhecidas, não passam de um mero "psiu" dirigido ao leitor. 

Matérias pequenas também entram neste grupo de dispensáveis, por assim dizer. Vira e mexe saem na capa imagens de mulheres seminuas, sob o famoso título visível a metros da banca: SEXO! O que deveria ser um informativo educativo, explicativo e cultural, respalda-se no "direito de expressão". E busca não mais que os fins puramente lucrativos. Com isso, pessoas e mais pessoas ao longo do tempo se enchem de mais ideologias sem um fim lógico, sem uma razão coerente. 

                                       


criação: lisandro staut