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 Dependendo
da imparcialidade
Neanis Lutzer
Quando o assunto envolve cotidiano, nada melhor que um bom jornal ou uma boa revista semanal. No entanto, o modo como as revistas abordam esse tema, é que vai trazer a grande diferenciação. Sem competição, às vezes se torna um pouco maçante. Só é preciso tomar cuidado na hora de rever a ética.
É o que acontece com a revista Época. No mercado, sua linha editorial é voltada para um público preocupado com seu dia-a-dia, geralmente na faixa dos 19 aos 40 anos.
Ela segue um padrão estipulado pelo próprio público-alvo, ou seja, atualidades que não só interessam ao mesmo, mas o que eles necessitam saber. Ao contrário de outras revistas.
Sua concorrente mais acirrada é a revista Veja, com o mesmo padrão praticamente. É interessante notar que essas duas revistas possuem uma mesma linha de raciocínio, tanto no campo político quanto no cultural e social.
Suas matérias e artigos são muito parecidos. E algumas vezes, vindo a calhar, até o mesmo pensamento, como ocorreu em uma edição do mês de abril nos dois periódicos.
Foi redigido um artigo a respeito do filme Kill Bill, mais especificamente da protagonista, Uma Thurman. As duas revistas foram bem detalhadas em cada comentário, reservando duas páginas sobre o assunto, com fotos que ocupavam metade da página.
Está certo que esse foi um assunto em alta durante o mês, e óbvio que as revistas gostariam de passar para o leitor tais informações. No entanto, um outro exemplo das mesmas edições não passou por alto.
A linha editorial daquelas edições foram essencialmente de cunho político. Diversas matérias sobre briga partidária. E o que mais chama atenção, foi que a palavra "guerra" parece ter sido combinada.
Primeiramente, retratava a briga, ou seja, a guerra dos traficantes na favela da Rocinha. Que nos dois periódicos foi abordado com bastante intensidade, não economizando páginas.
O interessante é que nas duas revistas houve uma outra matéria falando sobre guerra. Na
Época (19/4), com o título "Os Senhores da guerra", uma analogia entre Bin Laden e George Bush, enquanto na
Veja (21/4), a matéria intitulada "Como na guerra", discutia sobre os sem-terra, que ainda agitavam, e o governo começava a entrar em estado de beligerância.
Até as fotos que marcaram a semana aparecem nitidamente em ambas as revistas. Grandes e contínuas querendo colocar um pouco da realidade em papel. Na mesma revista, a
Época trouxe uma edição especial, o que parecia ter denotado a diferença.
Nela, encontravam-se artigos somente para homens, mas quem disse que mulheres não gostariam de ver? De capa, um título sugestivo "Vaidoso por opção", discorrendo sobre alguns homens que gostam de ter um pouco de vaidade sobrando. Além dessa, diversas reportagens envolvendo muitas fotos e algumas dicas sobre conquistas.
Qualquer revista que queira se tornar um link entre o público e a imprensa, sabe que a única coisa que vai trazer benefício é a imparcialidade, e assim, mais confiabilidade. Afinal, é muito fácil expor os assuntos da semana de maneira atrativa. Difícil é convencer o leitor de que o raciocínio da revista é ímpar.

criação: lisandro staut |
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