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Sob
olhares internacionais
Thiago Melo
O que os outros pensam de mim? Esta é uma pergunta que deixa a maioria das pessoas
preocupada. A imagem pessoal se conecta fortemente ao que os outros pensam que somos. Há quem diga que não somos quem pensamos ser, mas aquilo que outras pessoas dizem. É inevitável não sermos influenciados, mesmo em pouca intensidade, por argumentos, críticas e opiniões a nosso respeito.
O Brasil é um País em desenvolvimento, ainda em lentidão. Mas que se
encontra sob os olhares de muitos países importantes da esfera mundial. Os meios de comunicação são responsáveis por grande parte da imagem que nosso
País tem no exterior. Imagem criada tanto por meios nacionais quanto internacionais. Os chamados correspondentes existem com a finalidade de analisar as principais notícias ocorridas em determinado
país e enviá-las aos jornais, emissoras de TV ou outros meios no qual estejam trabalhando. No entanto, essa análise nem sempre é fidedigna à realidade.
É preciso cautela, inteligência e sensibilidade ao tratar de assuntos que dizem respeito às culturas e costumes diferentes aos quais
nos familiarizamos. "Brasil, reflexo de violência e pobreza". Este pode ser o pensamento de um norte-americano que tenha o hábito de ler apenas
Time ou Newsweek, conceituadas revistas norte-americanas. As notícias brasileiras não são destacadas com muita freqüência, mas essas revistas não perdem tempo em ressaltar as dificuldades e problemas enfrentados pelo governo brasileiro. Aliás, parecem ser as únicas coisas existentes por aqui.
Tendências negativistas
Na edição de 24 de maio de 2004, a reportagem de capa da revista Newsweek trouxe a seguinte chamada: "End of the affair; Feeling the pressure" ("Fim do caso; Sentindo a pressão"), com uma foto do presidente Lula de feições sérias,
preocupado. No decorrer da matéria de três páginas, percebe-se a tendência em mostrar que todos os esforços iniciais feitos por
Luiz Inácio Lula da Silva para erradicar a fome e diminuir o desemprego falharam.
Na matéria, a impressão que se tem é que, as expectativas geradas em torno de seu governo não passaram de uma paixão de adolescente, e que o momento atual é somente de pressão e cobranças. São utilizadas declarações do próprio governo brasileiro para legitimar sua posição. Frases como: "As frustrações estão crescendo", "O governo está na defensiva", embora verdadeiras, mostram apenas a face negativa do governo de Lula.
Na revista Time de 24 de março de 2003 foram dedicadas duas páginas falando sobre filmes latino-americanos. Destaque para o filme brasileiro
Cidade de Deus (2002; Fernando Meirelles). Sem maiores surpresas, pode-se perceber claramente o fio central do assunto: "A violência retratada no filme, como a única realidade vivida no maior
País da América do Sul."
Imagens esculpidas
A pergunta que não quer calar: É válido sacrificar a imagem de um País rico em culturas e em belezas naturais em troca de um lugar ao sol em Hollywood? Utilizar declarações, imagens e momentos negativos da história de uma nação para construir uma imagem negativa é um trabalho extremamente tendencioso e antiético. Porém, a falta de patriotismo dos brasileiros se torna mais preocupante. Não do povo, mas daqueles que têm a capacidade e a responsabilidade de mostrar o melhor que o Brasil
pode oferecer.
Por que valorizar apenas os belos rostos e corpos que o Brasil oferece às passarelas do mundo? Rodrigo Santoro é notícia
constante nas revistas nacionais. Teve seu espaço também na revista
Newsweek, em fevereiro de 2004. Nela, são exaltadas as suas características físicas em trabalhos com belas
mulheres e sua atuação como transexual no filme Carandiru (2003; Hector Babenco). Eis aí mais uma amostra do Brasil na ótica de nossos "mestres do cinema".
É preciso reconhecer que os problemas existem e que não são poucos. Mas é preciso também saber valorizar os aspectos benéficos do nosso
País. O pólo positivo existe, porém, deve-se torná-lo mais importante que o negativo. Dar margem para que revistas e periódicos internacionais opinem negativamente a respeito de nosso
País, e ratificá-las com nossas próprias palavras, imagens e atos, é permitir ser conhecido como os outros querem, e não como realmente somos.


criação: lisandro staut |
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