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Esquadrão anti-Bush

Marcio Tonetti 

Gabaritados jornais brasileiros ocupam atualmente lugar de destaque no ranking dos impressos. Entre eles pode-se destacar a Folha de S.Paulo, O Globo, Zero Hora, O Estado de S. Paulo, Correio Brasiliense, entre outros que, apesar de menos abrangentes, apresentam um jornalismo de qualidade. 

Mas, embora tenham uma posição ideológica divergente, esses veículos de comunicação pregam algo em comum na sua linha editorial: o comprometimento com o leitor e o empenho na tarefa de transmitir a realidade factual bem como a pluralidade de opiniões.

Contudo, nem sempre isto é levado ao pé da letra. Em grande parte porque esses jornais não são de todo autônomos; a maioria deles depende das agências de notícias internacionais. Por isso, o respaldo às coberturas internacionais, que na maioria das vezes são apresentadas sob uma única versão, principalmente quando se trata dos feitos que envolvem o império norte-americano. O que dizer, por exemplo, das notícias que a mídia veículou por ocasião da invasão dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque?

Além disso, convenhamos. Quanta parcialidade veio à tona no caso da suposta bebedeira do presidente Luís Inácio Lula da Silva publicada no jornal New York Times. A considerada imprensa brasileira deixou as águas rolar e fez publicações e mais publicações de capa durante uma semana. Alguns aparentemente rebatendo nitidamente o governo do próprio País, como é o caso do Estadão. Nem mesmo os grandes jornais conseguem esconder os vestígios do servilismo ao território ianque. 

Entretanto, a imagem americana diante da imprensa brasileira já foi melhor, sobretudo no meio político. Os jornais brasileiros - e nessa também entram alguns veículos internacionais, inclusive os americanos - estão centralizados, agora, nos efeitos da política americana no Iraque. As manchetes dão ênfase ou as forças de coalizão americanas confrontadas pelos terroristas, ou de torturas a prisioneiros iraquianos. Será que esses jornais se viram embaraçados diante do outro lado da história apresentado por veículos como a TV Al Jazeera, que está confrontando a mídia ocidental? 

Chegou a vez do Iraque na imprensa brasileira, principalmente no Estadão, já que sua linha editorial prioriza coberturas fora do País. Pouco antes da invasão, os jornais alimentavam as matérias com ideologias pró-guerra e exaltavam o caráter soberbo do presidente americano, por vezes como principal notícia. Agora malham a política de George W. Bush.

Na Folha não foi diferente. Manchetes como "Americanos acusados de supostos roubos no Iraque", evidenciaram a nova posição. Já o Correio Brasiliense não deixou passar a recente demissão do diretor da CIA, George Tenet, que alegou renunciar por "razões pessoais". Matérias como estas, por mais que pareçam inofensivas ao leitor desavisado, são mais uma das denúncias à exploração americana. 

Cabe, porém, argumentar que as publicações dos jornais anteriormente citados, ressaltando também as críticas de O Estado do Paraná ao governo norte-americano, não são um contra-ataque às insinuações de Larry Rhoter ao presidente Lula, e nem pretendem fazer especulações sobre Bush. Antes de tudo, são realidade. Afinal, Bush e seus comparsas caem em descrédito no próprio país, e também na imprensa internacional. 

Bush está mesmo em crise. A imprensa está percebendo que ele é perigoso. Ou até agora foi ignorante? Ora, o próprio New York Times já pediu desculpas pelas publicações de versões não confirmadas "durante o prelúdio da invasão do Iraque e nos estágios iniciais da ocupação", conforme noticiou Alberto Dines no Observatório da Imprensa

A imprensa em uníssono, salvo raras exceções, está dizendo ser "antiBush" e colocando lenha na fogueira. Bom para os jornais brasileiros que aumentam a credibilidade. Ruim para Bush que deixa de ser popular e perde a possibilidade de se reeleger. 

Porém, antes de considerar qualquer prestígio e consciência do sucesso, os jornais brasileiros precisam pensar no leitor e filtrar mais a informação. Ainda existe muito partidarismo política na imprensa nacional.  

                                                          

     

criação: lisandro staut