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Moeda
rara
Lêda Maria
"A boa educação é moeda de ouro, em toda parte tem
valor." Estas são palavras do padre Antônio Vieira, pronunciadas há quase
quatro séculos e que expressam a nossa real necessidade. Num País sem política ou ética educacional em que as escolas, que deveriam ser fábricas de cidadãos conscienciosos, tornam-se palco de violência,
agressão e discriminação. Infelizmente, a educação não é uma moeda valorizada.
Nesse contexto, falar e divulgar educação se torna cada vez mais difícil. Entretanto, a revista
Educação se empenhou nesse campo, informando, melhorando a qualidade do ensino e
tornando-se acessível a
todos. Lançada em maio de 1997, como continuação do Projeto Siesp, é uma revista mensal da
Editora Segmento. Presente em todo o território nacional, por meio de bancas e assinaturas, passou recentemente por uma mudança no projeto gráfico e um realinhamento editorial como estratégia de distribuição para se tornar mais abrangente.
Para debater a respeito de uma "moeda" tão importante para a formação do nosso tesouro social, a revista traz à tona aspectos fundamentais na edificação do processo educacional. A família, por exemplo, é
colocada acima do bem e do mal. Responsável primária pelo caráter do educando, é nela que a criança aprende valores básicos e constrói sua personalidade,
aprimorados tempos depois na escola. Consciente das constantes inovações tecnológicas e científicas,
Educação deixa seus leitores bem-informados abrangendo desde a genética e transgênicos, a escassez de computadores nas salas de
aulas e as condições precárias dos estabelecimentos de ensino.
Outros pontos positivos são as polêmicas levantadas quanto ao homossexualismo e
à sexualidade precoce nos adolescentes. Tocar em pontos sensíveis como
estes é importante, porque educar é a melhor forma de combater o preconceito e a discriminação. Segundo a revista, a falta de envolvimento, o preconceito e a violência levam muitos homossexuais a abandonar a escola.
Projetos
O incentivo a jovens talentos e a divulgação de projetos glamourosos como Pedagogia de Cordel, Projeto Aprendiz e o Projeto Lumiar fazem parte da filosofia do periódico. No
Projeto Lumiar "as crianças são co-responsáveis pelo próprio processo de aprendizagem. Isso significa que são elas que estabelecem o que têm interesse em aprender", diz a reportagem de Carolina Costa, intitulada "República de Crianças".
Nessa incrível maratona em busca da "moeda educação", muitos estereótipos são fixados ao longo de várias edições. O deficiente visual é aquele desrespeitado, esquecido, negligenciado, que necessita de novas técnicas de ensino que promovam o desenvolvimento de todos os sentidos, para que assim ele possa concorrer de forma justa para alcançar a "medalha". O aluno folião é vítima do preconceito num sistema educacional que não investe no pluriculturalismo e deixa as artes populares, o folclore à margem da cultura e do conhecimento.
Outro estereotipado é o favelado que jaz à margem das políticas
públicas, sem direito a creches, escolas, asfalto, saneamento básico ou assistência médica. Conta apenas com a comunidade que, aliada a parcerias, proporciona oficinas de
arte, teatro, música e dança. O estudante da terceira idade é outro excluído da sociedade e que vê no retorno às salas de aula uma forma de reinserção social. Já o negro carrega a herança de
mais de quatrocentos anos de escravidão, mesmo cem anos depois da abolição numa luta constante por melhor qualidade de vida e ascensão social.
Como nada é perfeito, a revista muitas vezes deixa a desejar ao comparar rede pública e privada. A escola pública é colocada quase sempre como
reduto de alunos violentos, professores despreparados, que ganham pouco e não recebem qualquer incentivo para dar aulas. O que, obviamente, resulta em aulas monótonas e alunos despreparados para a universidade. A rede particular, em contrapartida, conta com uma ótima orientação pedagógica, prima pelo uso da criatividade, valoriza a integração com a natureza e administra bem as propostas educativas.
Cabe ressaltar que Educação aponta de forma clara a intolerância no ambiente escolar. Soropositivos, homossexuais, menores infratores, negros e até religiosos sofrem intolerância física e psicológica. E a revista nesses oito anos de mercado busca retratar a atual situação da rede educacional apontando soluções criativas para driblar a precariedade, alertar autoridades e levar a uma possível mobilização social. Por meio de textos, imagens, estatísticas e infográficos ela quer dizer que a tal moeda de ouro, assim definida
por Vieira, ainda que desvalorizada, é uma raridade.


criação: lisandro staut |
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