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Acredite se quiser

Cíntia Bini

Em análise à revista IstoÉ, a arte das sutilezas e artifícios contrários aos fundamentos essenciais da comunicação foram ressaltados. Algumas dúvidas invadem a mente. Será que é possível ler uma matéria sobre política com segurança, ainda mais em época de eleições? Como acreditar nas pesquisas divulgadas? É difícil acreditar cem por cento.

O jornalismo brasileiro, aparentemente, tomou conta da "verdade". Eles ditam o que é verdade, sendo ou não. A mídia moderna está sob constantes influências do poder político e dos donos dos meios de comunicação.

A postura da mídia, com a linguagem voltada para o entretenimento e o sensacionalismo, impossibilita a qualidade da informação jornalística. Na verdade, o papel da mídia deveria ser de caráter mobilizador, de ativação da consciência política e abertura de mais espaços nos debates políticos. O que não acontece na prática, pois espaços são abertos, mas de forma negociada.

A IstoÉ não deixa de ser manipuladora como tantos outros veículos. Mentiras que se tornam verdades e vice-versa.

O juiz da 35ª Zona Eleitoral, Paulo Rodrigues, anulou duas pesquisas eleitorais publicadas pela revista IstoÉ sobre a disputa eleitoral deste ano em Campo Grande, MS. Não é possível confiar em uma revista que não mostra preocupação com as pesquisas divulgadas. Para sanar-se, culpa o instituto de pesquisas. Mas como diz uma velha regra de jornalismo, toda e qualquer fonte deve ser checada. 

Polêmica

A edição de 18/8 publicou uma matéria que denunciava o mau jornalismo brasileiro. Percebeu-se na matéria uma onda de "denúncia" contra a concorrente Veja sem o respaldo do óbvio e da ética. A Veja, na semana seguinte (25/8), trouxe a reportagem "Uma farsa chamada IstoÉ" apresentando provas que a inocentava das acusações feitas pela IstoÉ.

A matéria publicada na edição de 10/9/03, intitulada "As provas - CPI do Banestado investiga conduta de procurador que apura lavagem" chamou a atenção com a resposta dada pela ANPR - Associação Nacional dos Procuradores da República, na qual critica a revista pela veiculação de notícias distorcidas e fatos inverídicos sobre a atuação do procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, no "caso Banestado".

Seria preciso um filtro de informação que controlasse a opinião pública e uma divulgação parcial e seletiva da informação. Essa consciência moldada pela mídia se torna decisiva quando a população precisa se posicionar politicamente.

A imprensa tem que retomar os corretos trilhos da boa informação e do compromisso com a verdade. Já está na hora de se aproximar do exercício da saudável e responsável liberdade de imprensa. 

                                       


criação: lisandro staut