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Imparcialidade
política!
Thiago Campossano
A famosa imparcialidade dos fatos. Objeto de estudo para universitários, ideal maior dos veículos - ou pelo menos deveria ser. Nenhum fator melhor para esse assunto do que a política, visto que são inseparáveis. O jornal O Estado de S. Paulo traz muitos exemplos sobre essas considerações.
Semelhante a outros veículos O Estadão possui suas tendências - ou seriam ideologias - políticas bem expressas nas matérias e editoriais. É necessário ressaltar, que essas tendências geralmente sofrem alterações e mudanças no modo de ver as "andanças" políticas. Assim, pegando carona numa época muito importante do país, vê-se como o jornal se porta em relação às eleições.
Aparentemente fica difícil perceber elogios ou depreciações a respeito de políticos e partidos, isso pelo fato de numa mesma página conter extremos de assuntos conflitantes. Exemplo disso são três matérias contidas na edição de 11/9 referente aos candidatos à prefeitura de São Paulo. Uma tece elogios ao candidato principal da matéria, enquanto as outras desfavorecem os outros candidatos.
Resgatando o ditado "a quem muito é dado muito é requerido", pode-se parafraseá-lo para se adequar ao contexto: de quem muito fala muito se espera. Talvez essa seja uma explicação para algumas matérias conterem mais "agulhas" aos ministros, à Marta Suplicy, ao PT e suas atitudes como se percebe nessa época. As ênfases são maiores na utilização de frases acusadoras, números significativos do setor financeiro e previsões negativas da oposição nas chamadas e infográficos.
Os olhares aumentam aos passos do "ilustre companheiro". Até mesmo falando da candidatura de José Serra, por exemplo, encontram-se sentenças fortes como: "Onde estão os 10 milhões de empregos que o Lula prometeu?" revelando forte ataque (citado na edição de 11/9).
Analisando fotos e imagens usadas para ilustração das matérias e artigos, outra tendência surge. Na edição de 15/9, o sociólogo Simon Schwatzman escreveu um artigo criticando o governo quanto à intenção de colocar pontos eletrônicos nas escolas por todo o Brasil para saber se as crianças do projeto Bolsa-Família estão freqüentando as aulas. Para ilustrar foi colocada a foto de um homem jogando muitas notas de dinheiro pela janela da casa, dizendo que o dinheiro estava sendo jogado fora. Outro exemplo é o editorial desta mesma edição. O desenho era de um carro usado em campanhas políticas, com bandeiras do PT e caixas de som escrito "VOTE". O carro passava embaixo de uma via inacabada. O texto revelava vorazmente ataques à candidata Marta Suplicy, que estaria antecipando as inaugurações de construções para proveito eleitoral.
Olho de texto também é alvo dessa análise. Em 17/9, outra forte crítica, novamente Marta Suplicy e sua campanha, "mereceram" atenção para um editorial. A frase era referente ao descaso com a seriedade. "Maquetes e promessas de soluções mágicas substituem o debate sério". E no dia anterior, em artigo escrito pelo jornalista Gilberto de Mello Kujawsks, Lula foi o tema. A questão era a resposta considerada autoritária do governo afirmando que era preciso um período de 30 anos de PT no governo para uma mudança esperada. Kujawsks escreveu: "Lulinha paz e amor está engrossando a voz, a fala e os modos, transpirando autoritarismo".
Mais fatores? Que tal os títulos? Eles despertam no leitor a curiosidade para o texto e ao resumem o assunto em uma frase. Na edição de 18/9 vários títulos retratam essa característica. As palavras do senador Tasso Jereissati foram o título da matéria, que era de puro ataque ao projeto das Parcerias Público-Privadas: "PPP é a maior promiscuidade do País, diz Tasso". Falando em um tom de elogios a José Serra (PSDB), as promessas do candidato à prefeitura paulistana foram bem divulgadas. O título? "Não vamos interromper obra nenhuma", representando uma admirável promessa.
Volta-se à palavrinha inicialmente citada: imparcialidade. É visível que ela não excede em quase nada os âmbitos das salas escolares. Na prática, o parcial reina. Mas isso, em grande parte pela conveniência do momento. Assim, é claro que
O Estadão pode de um dia pro outro mudar seu discurso em relação ao governo, depende da intenção.


criação: lisandro staut |
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