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Folha

Daniela Toledo

Política no Brasil é sinônimo de dor de cabeça. Poucas pessoas entendem, de fato, que é na política que se encontram as grandes soluções para os problemas do País.
O processo de campanha política no Brasil virou um "espetáculo". 

A Folha de S. Paulo, um dos maiores jornais do País, ao tratar sobre as eleições, não mantém muita imparcialidade. Em vários aspectos o jornal se opõe sutilmente ao atual governo e, conseqüentemente, essa oposição se reflete na candidata do PT, Marta Suplicy. Em 14 de setembro, o editorial "Polarização Eleitoral" declarou com certo sarcasmo que, se o candidato do PSDB, José Serra, ganhasse as eleições hoje, frustraria os planos dos petistas de "consolidar uma ampla hegemonia política com vistas à reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006".

Na mesma edição, Roberto Mangabeira Unger argumentou que o governo e grandes empresas nacionais e estrangeiras querem transformar o Brasil numa Coréia da década de 1970. "É uma visão passadista e obtusa", comenta Mangabeira.

O jornal trata o candidato do Partido Progressista, Paulo Maluf, como sendo um candidato de "inteligência cênica". Que a máscara que mantém é a de "homem bom". "Sem dúvida é bom ator, e, como sempre está de volta, parece uma personagem de si mesmo", ironiza Cibele Forjaz, diretora teatral formada pela ECA/USP. ("Maluf poupa Marta e afirma que Lula o inspira a disputar", 14/9).

A matéria intitulada "PT vai reforçar os ataques a Serra, que podem chegar à TV" trouxe uma foto de Marta Suplicy em preto e branco com uma expressão desfavorável no rosto, e ironizou o discurso de Marta que foi traduzido para o francês durante uma visita ao Centro Educacional Unificado (CEU), acompanhada de representantes da Île-de-France, para um público de aproximadamente 800 pessoas. Provavelmente, apenas as pessoas da comitiva francesa entenderam.

Ao se tratar do Candidato do PSDB, José Serra, a Folha pinta um cenário diferente se comparado ao de Marta e Maluf. A edição de 15 de setembro "Para Serra, é plausível que a licitação do lixo seja fraudada" trazia duas fotos do candidato: uma com expressão serena e outra com um simpático sorriso. Acompanhando, vinha uma declaração do ator Pascoal da Conceição sobre a entrevista do candidato em que dizia que a "atuação de Serra é lógica, sensata, mas não ficamos satisfeitos com o espetáculo". 

Numa declaração, Luís Favre, marido de Marta, disse que o tucano era "reacionário" e "enganador". A contra-ofensiva partiu do deputado federal e um dos coordenadores da campanha de Serra, Walter Feldman. O deputado comentou que Favre exerce o mesmo papel de Maria Antonieta - casada com Luís XVI, foi um dos estopins da Revolução Francesa de 1789 - que "estava fora do processo político, mas atuava fazendo críticas". 

A coordenação de campanha do PT rebateu argumentando que "o deputado Feldman, hoje porta-voz de ocasião dos tucanos, tem tanta empatia com o povo que é sempre ele o preferido pela cúpula do PSDB em seu desejo de ser candidato à Prefeitura de São Paulo".

A grande verdade é que cada veículo de comunicação possui a sua imparcialidade. Uma pesquisa realizada pelo Vox Populi de São Paulo mostrou que o povo brasileiro está sendo mais cauteloso e racional na hora de votar. Com isso, cabe ao leitor, e eleitor, não se prender apenas à opinião de um veículo, mas correr atrás da informação analisando cada declaração e refletindo sobre aspectos diferentes de cada candidato.

                                                             


criação: lisandro staut