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Críticas sem rodeios

Isadora Schmitt

Boa parte dos veículos brasileiros levanta a bandeira contra o Conselho Federal de Jornalismo. A revista Veja - um dos veículos semanais mais vendidos no Brasil - também não ficou de fora. Mesmo ressaltando as conquistas do governo Lula no campo da economia, o impresso encarou o projeto da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), como uma ameaça à liberdade de imprensa.

Na edição do dia 18/08, a posição da revista em relação ao conselho ficou clara na capa. Cores vermelhas e um olhar ameaçador dentro da estrela. O título de capa: "A
Tentação Autoritária". O título da matéria: " O fantasma do autoritarismo". Já no subtítulo, o carro-chefe da editora Abril, demonstrou sua indignação contra o órgão - que na opinião do veículo - será um ato de coerção contra a imprensa brasileira. 
"Lula se deixa enganar por uma associação de assessores de imprensa de empresas estatais que se fazem passar por jornalistas e manda para o Congresso um projeto de lei que representa o mais sério ataque à liberdade de expressão no Brasil desde o regime militar". 

No desenvolvimento da reportagem Veja deixa explícita sua posição contrária ao Conselho. Além das críticas duras ao projeto, a matéria abordou a suposta criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav), que no primeiro instante da criação, apresentava pontos que influenciariam na linha editorial dos produtos culturais. A revista deixou claro o descontentamento com ambas propostas. 

Lembra ainda o quanto o Palácio do Planalto, e a sociedade de um modo geral, 
ficou descontente com a medida, pois a proposta veio em um momento político delicado. "Não poderíamos ter escolhido um momento pior para lançar esse projeto", diz um ministro com gabinete no Palácio do Planalto, ao referir-se à onda de denúncias contra o presidente do Banco Central e o do Banco do Brasil. "Passou a clara impressão de uma tentativa de ameaçar a imprensa, que não é a intenção do governo. Por que razão fomos meter a mão nessa cumbuca?", lamenta-se o ministro. Talvez porque no DNA de alguns petistas do primeiro time esteja ainda inscrita a palavra de ordem dos bolcheviques russos: "Todo o poder aos soviets". Para quem não sabe, soviet, em russo, significa conselho".

Nada de Conselho

A matéria é clara, sem rodeios. Eles não são favoráveis ao Conselho, pronto e acabou. Tanto que criticam a postura política de Frei Betto e dos dirigentes favoráveis ao projeto. Além disso, mostram diferentes visões de algumas personalidades sobre o que pensam a respeito da medida. Até mesmo políticos da situação, como o senador do PT Cristovam Buarque. 

No dia 25/8, a matéria "A piada que assusta" discutiu a "infeliz" brincadeira de Lula com os jornalistas em Santo Domingo na República Dominicana. Veja não perdoou a declaração do presidente - que em tom de pilhéria - chamou os profissionais que estavam presentes de covardes. A reportagem termina com uma crítica à forma irônica que o presidente trata assuntos políticos e de interesse da sociedade.

A revista nas edições seguintes - direta ou indiretamente - descobriu formas de atingir a criação do Conselho. O polêmico jornalista Diogo Mainardi, que nunca escondeu de ninguém a sua ojeriza ao presidente Lula, também declarou ser um crítico ferrenho do CFJ. Declarou que não se importa nem um pouco com o presidente, e demonstrou em seu artigo o quanto acha o projeto um abuso.

Se o Conselho será bom ou ruim para a sociedade, ainda é muito cedo para afirmar. Mudanças podem ocorrer, e, muitos debates sobre assunto ainda serão feitos. Contrários ou não, os veículos devem cumprir o papel: debater o tema e propor soluções.

Veja tem todo o direito de condenar a medida. Como veículo de opinião, o seu posicionamento é compreensível e louvável no ponto de vista da sociedade. O que não pode ocorrer é a queda para os extremos. Nesse ponto, precisa ter cuidado. 

 

                  


criação: lisandro staut