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Briga
de pesos e medidas
Edilene Caciano
De acordo com o projeto enviado à Câmara Federal pelo governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, a criação de um Conselho Federal de Jornalismo tem entre algumas funções, orientar, disciplinar e fiscalizar jornalistas. Definir tais diretivas como pessimistas e autoritárias é uma questão de hierarquização de valores. Isso, porque parece ser algo que não parte da iniciativa do público, do povo, das pessoas. Bem, democracia era um governo do povo para o povo. E não de interesses pessoais.
Parece ser esta a postura da revista IstoÉ ao abordar o assunto mais polemizado na mídia atualmente. Sem se preocupar em desvelar seus argumentos, o semanário irrompe críticas bem convincentes sobre a iniciativa do governo. E exemplificando com insucessos do governo, se mostra bem persuasiva em sua comunicação. Afinal, que autoridade tem um governo que não consegue colocar ordem na própria casa, ou melhor, no próprio palácio.
Segundo Weiller Diniz, jornalista do semanário, "o governo resolveu atacar a liberdade de imprensa", esclarecendo sua posição e o da revista quanto ao Conselho. Em 25/8, a
IstoÉ publicou uma entrevista com Muniz Sodré, doutor em Comunicação, professor da Universidade Federal de Jornalismo UFRJ. Integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Sodré citou falhas no projeto e na sua elaboração. Segundo ele, "esses conselhos são dos jornalistas, não passam pelo Estado. Por que o projeto foi encaminhado ao governo?".
Insensatez, talvez?
Entretanto, para o diretor de redação da revista IstoÉ, Hélio Campus de Mello, o envio desse projeto foi "o ápice da insensatez". "O que rege o jornalismo é a constituição do Brasil", afirma Mello em artigo publicado na revista em 18/08. Mello cita vários erros que, segundo ele, o governo Lula vem causando. "A relutância em não saber lidar com as críticas, as peripécias fiscais de membros do Banco Central, o caso do jornalista do The New York Times, e principalmente o apoio ao projeto do CFJ" são alguns dos erros apontados por ele. Mello questiona a credibilidade do governo com estas afirmações.
Ainda para piorar a situação, o presidente Lula chamou os jornalistas que o acompanhavam na República Dominicana de "um bando de covardes". Isso por não defenderem o CFJ, e ainda afirmou que "o denuncismo da imprensa não contribui com a democracia". Bem, novamente segundo Muniz Sodré, esta deveria ser uma iniciativa do povo, da classe envolvida, portanto uma democracia. Agindo assim, o governo parece estar com os olhos fortemente vendados, ou talvez vendidos. Nunca se sabe.
A revista se defende dizendo que, por haver muitas denúncias de cunho político, o governo está tentando se proteger, e o projeto é uma maneira de "calar" a verdade. Decisão chamada de "surto autoritário" pela revista.
Entre defesas, surtos e tentativas de calar a verdade, não é possível identificar a verdade. As posições se neutralizam. Uma briga de peso, em que a liberdade de expressão está novamente em pauta. Um assunto que leva à reflexão os profissionais da área e demais interessados. Até que ponto a informação é imparcial? Uma pergunta que todos já sabem a resposta.


criação: lisandro staut |
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