editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
 
| cultura | perfil | nostalgia
  olho vivo | canal do leitor | e-mail | expediente

anteriores
| próximas edições |
inicial


Liberdade aconselhada

Eugênio Martins

Um dos assuntos mais debatidos na imprensa brasileira, e até internacional, foi a criação do Conselho Federal de Jornalismo, uma proposta da Fenaj apoiada pelo Governo Federal. A Folha de S. Paulo, um dos principais jornais do Brasil, também discorreu o tema. A matéria de 21/8, "Secretário de Lula defende 'limites' para jornalistas", afirma que "em debate que não teve tréguas nem mesmo durante os intervalos, o colunista da Folha Clóvis Rossi declarou ser contra a proposta de criação de um Conselho Federal de Jornalismo". Ele e o secretário de imprensa da Presidência da República, Ricardo Kotscho, debateram no programa Dois a Um, exibido em 23/8 pelo SBT.
 
"O Conselho teria competência para estabelecer um "código de ética" que iria prever as punições para condutas que fossem julgadas inadequadas, com penas que poderiam chegar à censura e até a cassação do registro profissional," ("Stálin não morreu". Folha, 19/8).

Na matéria de 20/8, "O que é que o Delúbio tem?", a repórter Bárbara Gancia revela sua indignação dizendo que "enquanto, nos Estados Unidos, se discute o direito de manter o sigilo da fonte, e os profissionais de imprensa esperneiam diante da menor possibilidade de perder direitos que protejam a coleta de informações, nós aqui somos submetidos à zombaria de um presidente que deseja ver jornalistas tutelados por um bando de assessores de imprensa oriundos do PT". 

A jornalista ainda condena a "brincadeira" do presidente Luís Inácio Lula da Silva quando "disse que só falaria aos jornalistas favoráveis à criação do (CFJ)". "O presidente só conseguiu me deixar entre espantada e confusa", pois "o secretário Kotscho, não disse, que a iniciativa da criação do (CFJ) não partia do governo? Por que o presidente resolveu virar garoto-propaganda do projeto?".

Ao final da Primeira Guerra Mundial, Georges Clemenceau, presidente da França, declarou que "a guerra é coisa importante demais para ser deixada por conta dos generais". Seguindo esta linha de pensamento o repórter conclui que "sociedade e imprensa consideram o jornalismo uma atividade relevante demais para deixar sua regulamentação legal nas mãos apenas das entidades sindicais dos jornalistas". ("Clemenceau, a guerra e o jornalismo". Folha, 1/9).

Na matéria "CFJ pode ser comparado a conselho de Cuba" (22/8), o autor mostra que o Conselho "tem características semelhantes à entidade de disciplina e fiscalização da atividade jornalística existente em Cuba". Que é criticado por entidades de defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Segundo os Repórteres Sem Fronteiras é "a maior prisão do mundo para jornalistas".
 
Enquanto não se define "o que é certo e o que é errado", se aprovam ou não a criação do Conselho, os responsáveis pelo poder - tanto governo, quanto imprensa - continuam usando a tão aclamada liberdade de expressão para decidir o que é liberdade para os cidadãos. 
 

                                       


criação: lisandro staut