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Contradições
ideológicas
Jaime Edson
Por anos, a publicidade na imprensa sempre foi motivo de discussão. E, às vezes, até mesmo causa de indignação e intriga por depender dela a subsistência editorial. Interesses pessoais, relacionamentos entre empresários e coleguismo facilitam algumas transações no mercado publicitário e impresso. Isso cria uma confusão ideológica entre esses dois mercados.
A principal arma das revistas hoje é desenvolver tamanha influência que se torne ícones como mídias, para as agências de publicidade. Nesse contexto, a revista
Época aparece como conciliadora de interesses mercadológicos e editoriais.
Para tanto, o semanário contava com os serviços da agência publicitária W/Brasil, famosa pelo publicitário Washington Olivetto. O que era um contrato de serviços se tornou numa desavença. Esse caso parece deixar um espaço para discussão sobre como se legitima a independência da liberdade editorial e a publicidade. Ou ainda, como interesses que não sejam a notícia podem interferir numa cobertura.
A agência de publicidade W/Brasil não se agradou com a cobertura que a revista dera ao seqüestro de Washington Olivetto. Então, decidiu "interromper a parceria comercial com a revista
Época e a Editora Globo", afirmou Paulo Moreira Leite, diretor de redação da revista, na Carta ao Leitor da edição de 14/1/02.
Que tipo de "parceria comercial" é essa? A Globo comprava o talento da W/Brasil para reproduzir e inserir anúncios da
Época, assim como a Folha fez o mesmo com a agência na área de diários. Não são parcerias, são serviços de compra e venda que podem ser suspensos quando uma das partes desiste da operação. Decisões passionais não deveriam acontecer quando o que se está em jogo é informação e a notícia.
Crescimento publicitário
A publicidade hoje está tomando cada vez mais o espaço nas mídias. Por exemplo, a última edição da revista
Época (27/09), as primeiras coisas a serem vistas quando se abre a revista são as propagandas. E apesar da menção das datas, isso não acontece com freqüência. Além de serem mais extensas que em outros semanários.
No artigo da doutoranda Alice Trubina Trusz, publicado no portal da Associação Nacional de História, a Anpuh, "a principal razão da opção pelas revistas ilustradas diz respeito à percepção da especificidade e do caráter peculiar deste formato pelos seus editores, reconhecendo-a como a expressão jornalística e cultural mais condizente com os novos tempos modernos". Ela continua alegando que "a percepção do homem sobre suas manifestações se confundem tendo no registro fotográfico dos fatos cotidianos a sua expressão mais dinâmica e atualizada", assim a publicidade utiliza desses meios de comunicação em massa para divulgar suas ideologias.
Toda a publicidade obedece às normas de divulgação de anúncios na editora Globo. Esta segue seu objetivo de atender ao mercado publicitário com eficiência e "garantir o respeito aos compromissos com o público e a legislação vigente, preservando os padrões éticos e de qualidade das Organizações Globo". A fonte desta citação se encontra no próprio site do portal Globo.
Informar, quando se pretende até mesmo formar a "opinião publicitária" de quem lê, não parece ser uma iniciativa saudável. Decerto que, opinar não faz mal a ninguém. Mas uma posição não deveria quebrar uma conduta ideológica, ou fazer com que se torne dúbia.


criação: lisandro staut |
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